São Paulo - Depois de se tornar o goleiro com maior número de gols marcados na história do futebol, Rogério Ceni declarou ontem que acha seu recorde ''bacana'', mas ''secundário''. Com 64 gols, ele ultrapassou no domingo, jogando contra o Cruzeiro, a marca de 62 tentos que dividia com o ex-goleiro paraguaio Chilavert. ''Isso é bacana, há de ser comemorado no interior da gente, claro, mas é completamente secundário perto das conquistas do clube'', disse.
Para ele, a marca serve para celebrar o que diz enxergar como uma mudança no estilo de jogo dos goleiros. ''Acho que significa ter quebrado uma escrita de um estilo de jogo em que o goleiro só sabia jogar com as mãos. A gente vê uma evolução muito grande, um interesse em diversificar a qualidade das jogadas'', completou.
O goleiro justificou também a escolha de seu gol preferido o primeiro, contra o União São João, no Campeonato Paulista de 1997. ''Para um goleiro, na década de 90, ir para a frente, fazer um gol, quando se questionava se isso valia a pena, todo esse protocolo quebrado deixa o primeiro gol como o mais importante para mim'', disse, dividindo os créditos de seus gols com seus técnicos, que, segundo o goleiro, ''bancaram'' suas tentativas de jogar com os pés.
Diferente de seu antecessor no recorde de goleiro artilheiro, Chilavert, Rogério Ceni nunca marcou um gol com a camisa da seleção nacional. Nem chegou a ser titular da seleção brasileira. E admitiu que não tem expectativa de estar em campo na próxima Copa do Mundo. ''Não jogo a toalha, mas acho que é o momento de renovação, está chegando um treinador novo, que está renovando o grupo que jogou as duas últimas Copas e é de completo direito dele convocar jogadores mais jovens'', disse.
Kit - A quebra do recorde renderá mais uma homenagem para Rogério Ceni. A fornecedora de material esportivo do São Paulo anunciou que comercializará um kit esportivo para comemorar o fato de Rogério Ceni ter ultrapassado o paraguaio Chilavert.
Cada caixa do kit conterá uma camisa do goleiro e uma bermuda. Além do escudo do clube, a camisa terá uma assinatura de Rogério Ceni e uma tarja de capitão em dourado. No verso da caixa haverá uma mensagem do jogador. Das 630 unidades do kit, uma já está reservada para o treinador Muricy Ramalho, a pedido do próprio goleiro. ''É uma camisa muito bonita. Uma já é do Muricy, que era o técnico quando fiz o primeiro gol'', contou Rogério.
Para chegar ao recorde, o goleiro ressaltou que teve que passar por muita coisa. ''Interiormente, estou muito feliz, já que são 10 anos desde o primeiro gol. O duro é começar, já que foi preciso ter audácia para fazer aquilo. Acho que quebrei aquela escrita que o goleiro não sabe jogar com os pés'', contou o jogador.
Para o jogo contra o Paraná Clube, quinta-feira, no Morumbi, no duelo entre o líder e o vice-líder do Campeonato Brasileiro, o São Paulo poderá contar com as voltas dos meias Richarlyson e Lenílson, que cumpriram suspensão automática contra o Cruzeiro.

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