‘‘Automobilismo é paixão, mas antes de tudo um negócio.’’ A frase é de Roger Penske, dono da toda-poderosa equipe de Fórmula Indy. Em entrevista à revista Racing - especializada em automobilismo -, entre outros assuntos, Penske disse que tem planos de construir um circuito oval no Brasil. Os Estados escolhidos seriam Paraná ou São Paulo, de preferência, no interior. O motivo, segundo ele, é porque são locais com bom potencial de desenvolvimento econômico e muitos fãs de corrida com alto poder aquisitivo.
O Paraná, por exemplo, que já possui três autódromos - Londrina, Pinhais e Cascavel -, por que desperta mesmo assim interesse de um poderoso homem, se não o maior, do automobilismo norte-americano? É que ele sabe que aqui ou mesmo no interior paulista o número de aficionados pela velocidade é grande.
Por que um Estado como o nosso não tem um automobilismo forte? Há quanto tempo não se revela um grande piloto por aqui? O que se precisa para se criar uma categoria em que a garotada tivesse realmente chances de mostrar o seu potencial?
Para termos uma idéia, nossos melhores kartistas competem em São Paulo, pois lá o campeonato reúne um grande número de competidores, o que faz com que o garoto aprenda realmente os macetes da pilotagem e tenha uma experiência de competir em prova com grid cheio.
A única categoria-escola hoje no Brasil é a F-Chevrolet, que anteriormente era reservada para piloto com experiência em monospostos, pois a maioria aprendia tudo na F-Ford. Hoje eles saem direto do kart para um carro potente, o que nem sempre é bom. Isso sem falar nos altos custos, fazendo com que muitos fiquem pelo caminho. Quem tem dinheiro, sai do kart e vai direto para a Inglaterra, fazer o aprendizado na F-Ford, F-Vauxhall Jr. ou F-Renault.
Por isso um kartismo forte é um bom início. Aqui no Paraná parece que o contrário está acontecendo. Poucos pilotos, pouco interesse e pouca disputa. Já foram os tempos em que corrida de kart era sinônimo de muita briga, kartódromo lotado e grandes revelações. Se o nosso Estado possui três autódromos e muitos pilotos brilhando hoje no exterior, é porque potencial nós temos. Em todos os sentidos. E Roger Penske sabe disto. Não adianta termos várias pistas e poucas corridas. Público, empresas ligadas ao automobilismo e mídia estão aí para ajudar. O que será então que está faltando?

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