Rodrigo sai à 'caça de pontos' para chegar ao topo
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Heleni Felippe 
São Paulo, 28 (AE) - O cavaleiro brasileiro Rodrigo Pessoa, de 26 anos, consagrado pela conquista do bicampeonato da Copa do Mundo e do Mundial de Roma no período de apenas um ano, desde abril de 1998, tem um objetivo fixado para o restante da temporada. Rodrigo vai "caçar pontos" para chegar ao topo do ranking da Federação Equestre Internacional (FEI), lugar que um cavaleiro sul-americano nunca ocupou. "É uma batalha que terei de travar semana após semana, em boa parte do verão europeu, buscando pontuação em GPs como os de Aachen, em junho, Calgary, em setembro e Monterrey, em outubro", disse.
Não ir aos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg com a equipe brasileira, em julho e agosto, é o ideal para Rodrigo que planeja competir em cerca de 30 concursos, a maioria na Europa, até o fim do ano. "Os clássicos de cada semana, até outubro, permitem marcar bastante pontos."
O Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que queria a presença de Rodrigo nos Jogos, parece ter mudado de idéia diante da complexa e cara - cerca de US$ 300 mil - logística que envolve o transporte dos cavalos da Europa para o Canadá. "Eles estão longe da solução que queremos", observa Rodrigo, referindo-se também à participação do pai, Nélson Pessoa, o Neco. "Vamos conversar com o Rodrigo, mas precisamos ver se isso vale a pena", admitiu José Roberto Perillier, superintendente de eventos do COB.
Se depender só de sua vontade Rodrigo não vai ao Pan. "O Brasil está classificado para a Olimpíada de Sydney, não precisa brigar pela vaga", comenta. "Além do mais, os cavalos teriam de descansar na volta e eu perderia quatro ou cinco concursos na luta pelos pontos com outros cavaleiros da Europa que não vão ao Canadá", observou. "É hora de darmos oportunidade a novos conjuntos."
O brasileiro teve rápida ascensão no ranking mundial. Subiu da oitava posição do ano passado para a terceira (com 3.459,1 pontos), atrás do suíço Willi Melliger (3. 857,5) e do alemão Ludger Beerbaum (3.832,8). Os pontos conquistados com o título da Copa do Mundo, no fim de semana - Rodrigo acha que ganhou cerca de 120 pontos -, colocam o cavaleiro mais próximo do segundo colocado no ranking, o alemão Beerbaum.
Na pista - Rodrigo está no Brasil para competir no The Best Jump, torneio que começa amanhã, em Porto Alegre, e segue até domingo. O concurso serve de observação para formar o time que vai ao Pan e é uma das seletivas da América do Sul para o Continente. Rodrigo vai formar conjunto com um cavalo emprestado pela família Johannpeter.
Hoje, o cavaleiro fez uma parada em São Paulo para a entrevista coletiva na qual apareceu usando um boné azul do Seninha que, segundo explicou, era uma homenagem ao trabalho feito pela Fundação Ayrton Senna, administrada por Viviane Senna
e a tudo o que o piloto representou.
Corintiano por opção, mas admirador do bom futebol - aponta o alemão Bayern, o francês Olympique e o espanhol Barcelona como os melhores times da Europa no momento -, o cavaleiro, que nasceu em Paris e mora em Bruxelas, embora tenha a cidadania brasileira, disse que já conquistou a admiração do público nacional. "Depois dos meus últimos resultados, sempre divulgados pela mídia, já sou muito mais conhecido no Brasil", afirmou. "Gostaria que meus resultados ajudassem a popularizar o esporte aqui no País."


