São Paulo - A Copa América da Venezuela foi perfeita para o atacante Robinho. Além da medalha de ouro pelo título, ele voltou para o Brasil com mais três prêmios: melhor jogador do torneio segundo os organizadores, artilheiro isolado com seis gols e melhor jogador segundo a imprensa. No desembarque no Rio, ontem, o atacante da seleção brasileira e do Real Madrid tinha tantos troféus que precisou da ajuda de um companheiro, o meia Elano, para carregar um deles.
Carregando um dos troféus de Robinho pelo aeroporto, Elano ainda deu uma bronca bem-humorada no amigo. ''Pô, neguinho, essa bola aqui é pesada pra caramba. Se estivesse murcha era mais fácil de carregar'', afirmou o jogador.
Robinho falou sobre os prêmios pela artilharia e o de melhor jogador, mas se enrolou quando tentou explicar qual era o terceiro troféu. ''Sei lá o que é esse aqui, parece que é de revelação'', disse o atacante.
De revelação não pode ser, porque o craque do Real Madrid já chegou à Venezuela como uma estrela do futebol mundial. Poderia ser um prêmio de afirmação, de confirmação de um jogador que cumpriu o que se esperava dele e mostrou que daqui para a frente seu papel na seleção brasileira será de protagonista, não mais de coadjuvante. ''Deu tudo certo e estou muito feliz. Entrar de férias desse jeito é muito bom'', admitiu Robinho.
Por falar em férias, Robinho teve uma boa notícia: só precisará se reapresentar ao Real Madrid dia 5 de agosto - e não daqui a 10 dias, como imaginava.
Só o que não deu certo para o craque foi a estratégia que montou para chegar cedo em Santos para rever os pais (Gilvan e Marina) e a noiva, Vivian, que está grávida. Ele pegou um helicóptero, junto com o zagueiro Alex, no Aeroporto do Galeão, no Rio. Mas o mau tempo fez com que a viagem terminasse em Parati (RJ), o que obrigou Wagner Ribeiro, seu procurador, a providenciar um carro para levá-lo para Santos. Assim, ele só conseguiu chegar em casa no meio da tarde de ontem.
As três semanas na Venezuela mostraram um Robinho maduro e responsável, que sabia o que representava para o grupo e para os torcedores venezuelanos - que o veneravam. Ele nunca negou um autógrafo ou um pedido de foto dos torcedores locais. E no penúltimo treino da seleção antes da final da Copa América foi em direção a três garotos que viam o treino de cima de uma laje e jogou uma bola para eles.
O melhor de tudo é que Robinho fez tudo o que fez sem mudar o seu estilo de jogo nem perder seu jeitão irreverente. Quando os jogadores começaram a se dispersar no aeroporto do Rio, seguindo cada um para o seu lado, o astro da Copa América - que usava uma boina marrom no estilo Milton Nascimento - se despediu assim de Daniel Alves. ''Valeu, Dani, me liga. Mas não liga a cobrar, porque eu sei que você tá com grana'', brincou o jogador do Real Madrid.
As Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010 começam em outubro. Os adversários que se cuidem, porque Robinho já não é mais uma promessa com a camisa amarela. Provou nos gramados venezuelanos que é um craque para jogar muito tempo na seleção brasileira.

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