Robinho, o reserva mais titular
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quinta-feira, 15 de junho de 2006
Mateus Silva Alves<br> Agência O Globo 
Konigstein - É possível um jogador de futebol ficar na reserva e ser feliz ao mesmo tempo? É possível, sim, se esse jogador tem seu nome gritado pela torcida ainda no primeiro tempo da estréia de sua equipe na Copa do Mundo. Esse jogador é Robinho, o reserva mais titular da seleção brasileira. Ele está andando nas nuvens, rindo à toa, crente de que está aproveitando bem cada minuto de seu primeiro Mundial.
Robinho estava sentado em um dos bancos de reservas do Estádio Olímpico de Berlim quando boa parte da torcida brasileira que estava no estádio começou a gritar seu nome no confronto contra a Croácia. Robinho ouviu, é claro, e sentiu uma alegria imensa, que ele precisou conter para não irritar o técnico Carlos Alberto Parreira. Nos pouco mais de 20 minutos que teve para jogar, ele fez um bom papel e criou uma jogada que foi desperdiçada de modo incrível por Adriano.
Por isso tudo, Robinho está feliz. Muito feliz. E louco para ter mais alguns minutos no duelo de domingo contra a Austrália. ''Eu estou procurando aproveitar ao máximo o tempo que tenho para mostrar meu futebol. Se tiver outra oportunidade de entrar contra a Austrália, ótimo'', afirmou Robinho. ''Eu ouvi a torcida gritar meu nome e fiquei muito feliz. É um motivo de de satisfação e orgulho para mim. Fico ali ansioso para entrar logo e retribuir o carinho jogando bem'', completou ele.
Entrando no segundo tempo, Robinho consegue pegar os adversários cansados e sabe que isso é uma vantagem importante. Ainda mais para alguém que tem muita velocidade e habilidade. Só que não é fácil ficar do lado de fora, apenas torcendo pelos colegas. Robinho sofreu bastante no jogo contra a Croácia. ''É muita tensão, principalmente quando o time adversário ataca. Mas depois que o Kaká marcou o gol, fiquei mais calmo'', contou o craque. ''A vontade de entrar é enorme. No aquecimento, cada vez que a bola saía eu olhava para o treinador para ver se ele me chamava para entrar'', disse Robinho.
Por mais alegre que esteja, Robinho sabe que vive uma situação delicada. Ele compete por um lugar no time com Ronaldo, um ídolo mundial, um dos maiores artilheiros da história das Copas e tudo mais. O ''Fenômeno'' jogou muito mal contra a Croácia, sua forma física é ruim, a fase técnica também é, mas assim mesmo pouca gente acredita que Parreira tirará o camisa nove da equipe.
Mas Robinho continua lutando. Ele não demonstra ter medo da concorrência com Ronaldo, seu amigo e companheiro de Real Madrid. ''É uma disputa normal, saudável. Todo mundo quer jogar. Se eu puder entrar no lugar dele (Ronaldo), não vai ser chato, não. Isso é coisa do futebol'', afirmou o ex-jogador do Santos.
Como está disputando uma vaga no time com Ronaldo, Robinho é obrigado a responder a várias perguntas sobre o ''Fenômeno''. E ele toma o maior cuidado para não dizer qualquer frase que soe como uma provocação a seu colega de clube, que Robinho considera um ídolo. O caçula da seleção faz questão de tentar levantar o moral de Ronaldo. ''Ele é, para mim, o melhor atacante do mundo. Quando está bem, é capaz de decidir uma partida. Eu torço muito para que ele jogue bem e marque vários gols. Aliás, todo mundo aqui torce, pois o Ronaldo é amigo de todos.''


