Santos - A forte chegada do ala direito Maurinho à frente, os gols de Deivid, que foi embora no meio do ano, e o encaixe perfeito de Aristizábal entre o meio-de-campo e o ataque foram algumas das armas que ajudaram a fazer do Cruzeiro o campeão brasileiro de 2003. A principal, disparado, foi Alex, recuperado física, mental e tecnicamente, tanto que está de volta à seleção brasileira. Esse foi um desafio que Vanderlei Luxemburgo assumiu ao chegar à Toca da Raposa. Agora, ele está empenhado em acrescentar a Robinho uma qualidade importante, não apenas para ele, mas também para o Santos na sua pretensão de voltar a ser campeão.
''Robinho só não vai ser artilheiro se não quiser'', fala Luxemburgo, que reluta em admitir que o time do Santos é dependente do atacante de 20 anos, como ficou provado nos dois jogos mais recentes. No Maracanã, diante de um Fluminense apenas regular, a equipe perdeu porque Robinho sentiu demais as más condições do gramado, não conseguia driblar em velocidade porque a bola, encharcada, parava nas poças d'água.
Foi substituído por Basílio, que também não fez nada. Coincidência ou não, sempre que Basílio brilhou ao entrar no time no segundo tempo, teve a companhia de Robinho. Contra o Criciúma-SC, na terça-feira, Robinho comandou o espetáculo, fazendo dois gols e não dando trégua à defesa adversária. Resultado: goleada santista e volta à liderança do Campeonato Brasileiro.
''Falei para o Robinho que se preocupar apenas em dar dribles é complicado. Falo muito com ele, dentro do campo, durante os treinos, e fora. Ele está começando a fazer gols e sendo festejado pela galera. Isso é bom para a sua evolução'', afirma Luxemburgo, que pega no pé do atacante sempre que ele volta para buscar jogo e fica dando dribles na intermediária.
''Robinho é um jogador de grande qualidade e isso que às vezes ele faz é prejudicial, porque ali não vai acontecer nada. Ainda há o perigo de sofrer uma pancada e se machucar com seriedade.''
Técnico adepto do futebol-arte, jogado ofensivamente, Luxemburgo não fica apenas nas palavras. Durante os treinos com bola, ele pede para Robinho não se afastar das imediações da área e faz observações quanto à sua maneira de atuar.
''Digo que se ele driblar objetivando o gol, pode se tornar um artilheiro, porque bate bem de esquerda, bate bem de direita, sabe tirar a bola do goleiro, arrisca de cabeça. Então, se ele quiser, vai ser um artilheiro.''
Outra preocupação de Luxemburgo é não permitir que Robinho se empolgue com os elogios e passe a se preocupar em fazer apenas jogadas de efeito. ''Como é um jogador com a tendência a crescer muito ainda, é preciso ter atenção com ele. Em alguns jogos, noto que falta um pouco de consistência ao seu jogo. Numa mesma partida, momentaneamente ele aparece bem e em seguida cai de produção. É preciso ser mais constante, participar sempre'', concluiu o técnico.
Robinho não se empolga com a idéia de se tornar um artilheiro. Quando é questionado sobre o assunto numa entrevista, procura se esquivar. ''É sempre bom fazer gol. Felizmente, na última partida fiz dois, porém o mais importante foi que o nosso time ganhou os três pontos.''
Sobre as orientações de Luxemburgo, confirma que ele sempre pede para que os seus dribles tenham por objetivo o gol. ''Procuro fazer o que o treinador manda e jogar mais perto da área, para fazer o gol ou então para servir um companheiro bem colocado'', resume o atacante, que confessa que seus dois maiores desejos são voltar à Seleção Brasileira e ganhar a Copa Libertadores da América. Depois, pode até ir para a Europa. Seu contrato com o Santos vai até junho de 2007.

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