São Paulo - O atacante Robinho deu uma entrevista coletiva, na manhã de ontem, em um hotel da Zona Sul de São Paulo e resolveu falar, de uma vez por todas, que não quer mais defender o Santos. O jogador fez um apelo ao presidente Marcelo Teixeira, que está dificultando sua transferência para o Real Madrid e pediu bom senso. Disse que não tem mais clima para continuar no Brasil e que sua cabeça já está no futebol espanhol. Robinho revelou ainda que no final do ano passado, o presidente havia prometido liberá-lo depois da Libertadores.
Deixando de lado o tom conciliador que havia usado em relação ao presidente santista, Robinho disse que não gostaria de sair do clube ''pela porta de trás'', mas deixou claro que pretende brigar. ''Se o presidente quiser que eu saia pela porta de trás, a responsabilidade será dele. Se eu não for agora, vou continuar até o final do meu contrato (2008) e a partir daí o Santos não vai receber nada '', afirmou.
O atacante - que estava acompanhado de seu empresário Wágner Ribeiro - revelou ainda que o Santos está agora com uma proposta de US$ 25 milhões do clube espanhol. ''Fico decepcionado. A proposta já havia sido bem anterior e havia a conversa de me liberar depois da Libertadores. Hoje a oferta é até muito maior. Acho que está havendo um mal entendido. Não sei se é birra dele. Nunca tive nenhum problema com o presidente Marcelo Teixeira. Ele prometeu uma coisa, e não é mentira. Estava com meu pai na sala. Não quero me reapresentar ao Santos para não atrapalhar o Gallo'', afirmou.
''Minha cabeça está no Real Madrid. Eu já não tenho mais porque treinar no Santos já que meu pensamento está na Espanha'', acrescentou. ''Para mim é muito dificil dizer que não quero mais jogar no Santos, clube que me formou, me todo o apoio, e me ajudou a concretrizar o meu sonho de jogar na Seleção Brasileira, mas os torcedores são inteligentes e vão entender que eu tenho direito de ir embora''.
Robinho fez uma revelação. ''Em outubro de 2004 eu tive duas propostas - uma do Benfica e outra do PSV (Holanda). Naquela época o presidente disse que queria 10 milhões de euros (U$ 11,9 milhões) livres para o Santos. Depois houve a história do sequestro (da mãe do jogador), mas ele manteve a sua palavra e pediu que eu ficasse até o final da Libertadores. Eu não sei o que foi que mudou depois disso, mas espero que ele cumpra a sua promessa''.
O Santos detém 60% dos direitos federativos do jogador. Robinho é dono do restante, mas destes, 10% pertencem a Wágner Ribeiro. O presidente Santos disse que só libera o jogador se o Real Madrid pagar a multa contratual, de U$ 50 milhões. Aceitaria U$ 30 milhões, mas neste caso, o jogador teria de abrir mão de sua parte.
Robinho admite até recorrer à Fifa para obter sua liberação. ''Não tenho mal caráter nem sou ingrato. Não quero acionar a Fifa por gratidão ao Santos, porém, se for necessário é isso que farei''.

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