Teresópolis - A presença de Kaká na Granja Comary, quase um ano depois de seu último jogo pelo Brasil, fez a atenção estar voltada para o meia do Milan na apresentação. Foi o primeiro a ser solicitado para a coletiva e personagem obrigatório de cinegrafistas e fotógrafos. O assédio durou um dia. Desde que Dunga assumiu, em meados de 2006, há um protagonista nesta seleção brasileira: Robinho.
Ele nem precisava ter mudado o estilo do cabelo para ser percebido - está usando algo parecido com um moicano. Se Adriano busca ultrapassar Ronaldo na média de gols pela seleção, seu companheiro de ataque é o goleador em números absolutos da era Dunga. São dez gols, um a mais do que Kaká e dois na frente de Luís Fabiano - que, machucado, foi cortado dos jogos contra Venezuela e Colômbia. Não é à toa que, sempre que Robinho fez gol, o Brasil saiu vitorioso de campo.
''Não acho que sou a estrela da seleção. Todos os jogadores têm o mesmo peso. Quem jogar bem, joga'', disse Robinho. Ele descartou um duelo com Kaká para ser o queridinho da seleção. ''Eu gosto de jogar ao lado do Kaká. É um cara inteligente, rápido. Não tem rivalidade nenhuma.''
Robinho marcou gols importantes sob o comando de Dunga. Os três que fez contra o Chile, na Copa América de 2007, por exemplo, foram fundamentais para a confiança que a equipe conseguiu na competição, conquistada depois na decisão contra a Argentina. E foi contra o mesmo Chile, em 7 de setembro, que o gol de Robinho abriu caminho para nova goleada por 3 a 0, que ajudou a manter o emprego do treinador. Se tivesse perdido em Santiago, Dunga poderia ter perdido o emprego.
''Jogar na seleção sempre é fácil. São grandes jogadores ao lado. Um dia você joga com Luís Fabiano, outro com o Adriano. É só fera em campo''. Antes de Dunga, Robinho havia marcado apenas seis gols com a camisa da seleção brasileira, em 25 jogos (0,24 gol por partida). Agora foram dez em 30 duelos, 0,33 por confronto.
Robinho também estava em campo na histórica derrota para a Venezuela, em junho, nos Estados Unidos. Os 2 a 0 foram o início da crise de Dunga. Mas, para o atacante, o Brasil não tem que viajar para a Venezuela com vontade de vingança. ''Revanche nunca é bom. Temos que ir lá e tentar ganhar de olho na nossa meta, que é a vaga na Copa do Mundo. Perdemos em amistoso. Agora é que vale.''

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