Robinho admite saudades do Brasil
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Agência Estado 
Rio - A exibição de gala do atacante Robinho na goleada por 5 a 0 sobre o Equador, pelas Eliminatórias da Copa, não valeu apenas para empolgar a torcida e reviver os lances de habilidade do jogador revelado pelo Santos. Serviu também para provar que Robinho se transforma quando veste a camisa da seleção brasileira: ao contrário de quando atua no Real Madrid, fica à vontade para envolver os marcadores com seus dribles desconcertantes.
O próprio Robinho admite que não se sente plenamente feliz no Real Madrid. Apesar de se dizer ''muito bem'' na Espanha, o atacante admitiu que era muita feliz na época em que defendia o Santos. ''Tenho saudades, sim. Aquela torcida toda gritando o nome na hora de entrar em campo. Aquilo era muito bom'', comentou Robinho.
Os números evidenciam que o camisa 10 do Real Madrid tem sido um mero coadjuvante na equipe espanhola. Nesta temporada, sob o comando do técnico Bernd Schuster, fez sete jogos - seis pelo Campeonato Espanhol e um pela Liga dos Campeões. Começou na reserva em duas dessas partidas e foi substituído em outras três.
Outros dados exemplificam a timidez do jogador de 23 anos. Ao contrário da seleção brasileira, na qual é uma das principais opções ofensivas, no Real Robinho é coadjuvante: sofreu apenas 13 faltas no ano e fez somente 10 cruzamentos para a área. Muito pouco para quem ficou conhecido por entortar os adversários com suas arrancadas laterais.
Desde que chegou ao futebol europeu, no segundo semestre de 2005, Robinho nunca repetiu as exibições magistrais que encantaram a torcida brasileira. Contratado a peso de ouro - cerca de US$ 50 milhões - do Santos, Robinho chegou a Madri com a expectativa de ser um novo Pelé. E apesar de alguns raros lampejos de craque, a rigidez dos esquemas táticos e a frieza dos europeus parece ter bloqueado a genialidade de Robinho. ''Os torcedores vão ao campo como quem vai ao teatro. Não ficam pulando, gritando o tempo todo'', explicou o atacante.
Talvez seja um sinal de que, com um pouco mais de apoio e confiança, Robinho pode brilhar de vez no competitivo futebol do Velho Continente, e não apenas contra limitados rivais, como os equatorianos.
Olimpíada
Levar o Brasil ao Mundial da África do Sul é o sonho do trio de ouro formado por Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Robinho, mas os craques não escondem uma outra ambição: a de disputar os Jogos Olímpicos de Pequim em 2008 e conseguir a inédita medalha de ouro para o Brasil.
Todos tentam convencer o técnico Dunga de que devem ser os escolhidos entre os três jogadores com idade acima dos 23 anos. Ronaldinho disputou a Olimpíada em 2000, em Sydney, e quer voltar para apagar aquela eliminação para Camarões, por 2 a 1, na prorrogação - os africanos tinham dois jogadores a menos.
Robinho estava na equipe que frustrou a torcida no Pré-Olímpico do Chile, em 2004, e ficou com esse peso nas costas. Kaká, vetado pelo Milan, nem sequer pôde disputar a seletiva daquele ano. ''É uma meta que tenho'', admite o craque do time italiano.


