São Paulo, 13 (AE) - Roberto Moreno teve uma ótima semana: conquistou o 2º lugar em Laguna Seca (a melhor classificação em 58 provas que já disputou na Fórmula Indy) e ganhou o green card das autoridades americanas, permissão para viver e trabalhar nos Estados Unidos. Amanhã ele desembarca em Brasília para o casamento com Célia com quem já vive há 13 anos e tem duas filhas: Andreza e Chiara. "Quero estender a ela o benefício do green card", justifica. "Ele é um grande piloto. Melhor do que eu. Só não teve as mesmas oportunidades", assegura o tricampeão mundial Nelson Piquet, amigo de Moreno desde os tempos do kart.
Este ano, Moreno, 40 anos, fez 13 das 17 corridas e marcou pontos em 8. Começou correndo na Rio-200, em Jacarepaguá, substituindo Mark Blundell, na PacWest, e foi até a etapa de Michigan. Depois foi convidado para substituir Christian Fittipaldi na Newman-Haas, a partir da corrida de Detroit. Se Christian passar nos exames médicos, na próxima semana, Moreno estará fora a partir da próxima etapa, dia 26 de novembro, em Houston.
"Mesmo que não corra mais este ano, estou muito satisfeito com o que consegui fazer. E abri portas para disputar o campeonato da Cart, no ano 2000", disse o piloto depois de descer do pódio de Laguna Seca, no domingo. "Correr aqui não é fácil. Esta é uma pista difícil, com areia, que exige muita atenção e esforço físico", comenta.
Moreno é o 14º do campeonato com 58 pontos. Mesmo com quatro corridas a menos, ele marcou mais pontos do que pilotos como Maurício Gugelmin, Scott Pruett, Robby Gordon, Cristiano da Matta e Hélio Castro-Neves que disputaram as 17 etapas até agora.
"Eu saí do nada. Era um mecânico e fiz carreira no automobilismo. Estou educando minhas filhas. Hoje posso parar de correr mas não quero. Tenho muito orgulho do que já fiz ", diz. Moreno foi campeão da Fórmula 3000 em 88. Correu de Fórmula 1 pela Minardi, Jordan, Eurobrum, desenvolveu o câmbio semi-automático para a Ferrari e teve seu grande momento no GP do Japão de 1990 quando terminou em 2º, fazendo dobradinha com Nelson Piquet para a equipe Benetton.
Este ano, Moreno só disputou provas da Indy porque os pilotos titulares se acidentaram. Por coincidência, no mesmo circuito: Madison. Primeiro o inglês Mark Blundell, companheiro de equipe de Maurício Gugelmin. Depois, Christian Fittipaldi, no seu melhor ano na categoria. "Eu sinto o que aconteceu com eles. Mas isso faz parte do nosso trabalho", resume Moreno.
As atuações do piloto valeram um novo apelido para Moreno na Indy: Supersub (ou super-substituto). Moreno trocou de equipe e de equipamento na metade do ano mas não comprometeu suas atuações. Pela PacWest corria com um Reynard-Mercedes; pela Newman-Haas, onde foi 2º colocado em Laguna Seca, com um Swift-Ford. "Em um ou dois treinos eu pego a mão. É coisa de piloto com muita quilometragem", justifica.
Agora, perto do final do ano, Moreno conversa com Pat Patrick, dono da Patrick Team, e Bobby Rahal, dono da Rahal Team
discutindo a possibilidade de uma vaga para o ano 2000. Há ainda uma 3ª equipe mantida em sigilo. "Estamos negociando. São propostas e contra-propostas. O Pat volta da Europa na próxima semana e poderemos chegar a um acordo". O piloto está confiante de que fará no ano que vem, pela primeira vez, toda a temporada.

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