Rivaldo saboreia a melhor fase de sua carreira
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quinta-feira, 07 de outubro de 1999
Por Emerson Couto (Enviado Especial) 
Amsterdã, 08 (AE) - Se ainda estivesse atuando no Brasil
Rivaldo seria apenas mais um jogador de talento do País, mas sem qualquer reconhecimento mundial, longe de brigar para ser o número 1 do planeta. Mesmo na boa fase que atravessa hoje. A opinião é do próprio atleta do espanhol Barcelona e da seleção brasileira. "Se você não joga na Europa ninguém te conhece", afirma. "Na Espanha, só se descobre novos jogadores brasileiros por meio de empresários, porque a televisão não mostra os jogos, ninguém fala nada do que acontece por lá."
Rivaldo nem pensa em voltar para o País, mesmo sem ainda ter definido uma revisão de seu contrato com o Barcelona como quer há algum tempo. O impasse tem lhe causado certo aborrecimento. Em Amsterdã, Rivaldo é o brasileiro mais assediado pelos torcedores holandeses e jornalistas espanhóis, estes presentes em grande número pelo fato de vários jogadores de Brasil e Holanda atuarem no Barcelona e Real Madrid. No meio da semana, a equipe catalã terá um clássico contra a madrilena, de Roberto Carlos e Sávio, pelo Campeonato Espanhol.
O futebol de Rivaldo não mudou e sua personalidade também não, apesar da recente badalação e da conta bancária milionária. "Continuo uma pessoa humilde, com os pés no chão como sempre", analisa. Para valorizar ainda mais sua ascensão, Rivaldo lembra da grande luta para chegar ao topo e de vários momentos de dificuldade. "Desde que cheguei ao Deportivo La Coruña, tive de trabalhar muito até aqui", contou. "Sou também uma pessoa iluminada." Rivaldo é uma das grandes atrações para o amistoso de amanhã diante da Holanda, ainda mais depois dos três gols na última exibição do Brasil, na vitória por 4 a 2 sobre a Argentina, em Porto Alegre.
Rivaldo diz estar à vontade em campo. "Faço tudo que quero, lançamentos, marcou gols, tanto no Barcelona como na seleção brasileira", afirma.
Os holandeses são, na maioria, conhecidos para ele. Cinco deles são seus companheiros de clube - Patrick Kluivert, Philip Cocu, Ronald de Boer, Boudewijn Zenden e Winston Bogarde. De todos, Cocu, que também atravessa boa fase, é o mais próximo. Curiosamente, Bogarde, um de seus marcadores no jogo de amanhã, não chega a ser tão íntimo assim. "Com os demais, faço brincadeiras, piadas, mas com o Bogarde, não", conta.


