Rivaldo não tem saudades do Timão
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sábado, 15 de julho de 2000
Guilherme Gouveia De Foz do Iguaçu Especial para a Folha 
Depois do caso do atacante Edílson, que se diz agredido por membros da torcida organizada Gaviões da Fiel, quando se reapresentava ao Corinthians, após a eliminação na Taça Libertadores pelo arqui-rival Palmeiras, mais um episódio volta a envolver a torcida corintiana.
O misto de paixão e ódio que move os torcedores assustou também o jogador Rivaldo, ex-jogador do Corinthians. O atual atacante do Barcelona da Espanha, eleito na temporada passada o melhor do mundo, é mais um caso nessa história. Ele se considera um injustiçado pela torcida alvinegra.
No Hotel Bourbon, em Foz do Iguaçu, onde a Seleção Brasileira está concentrada, o atacante disse guardar mágoas do tempo que passou pelo Parque São Jorge. Eu passei muitas dificuldades no Corinthians. Nos primeiros dois meses foi uma maravilha, mas nos outros meses eu fui muito criticado. Já teve momentos da polícia me levar para casa, disse.
Questionado se voltaria ou não a jogar no Corinthians, ele foi claro em sua resposta. Não, sinceramente não. Eu sou uma pessoa que procuro sempre falar a verdade. Segundo ele, se um dia voltar a jogar no Brasil, será no clube do Parque Antártica, onde ganhou vários títulos. No Palmeiras era diferente, a torcida sempre estava comigo me apoiando. Até hoje eu tenho um carinho muito especial por ela.
As polêmicas declarações do atacante do Barcelona não pararam por aí. Para Rivaldo, os atletas da copa de 70, e até Pelé, teriam dificuldades com o estilo de forte marcação do futebol atual. Ele citou um lance em um dos jogos da seleção tricampeã, em que Rivelino teria dado 13 toques na bola sem receber marcação.
O técnico da Seleção Brasileira, Wanderley Luxemburgo, durante entrevista coletiva, tentou esclarecer as declarações de seu atleta. Para Luxemburgo, Rivaldo fez uma analogia ao futebol praticado na época de Pelé, Rivelino, Tostão e Jairzinho. Os atletas que jogaram em 70 teriam dificuldades hoje pelo dinamismo do atual futebol mundial explicou.
Rivaldo Victor Borba Ferreira, 28 anos, nasceu em Recife, Pernambuco. Suas boas atuações no campeonato pernambucano pelo time do Santa Cruz, fizeram o técnico do Mogi-Mirim, Osvaldo Alvarez, o Vadão, atual treinador do Corinthians, pedir sua contratação. Peça-chave no esquema tático de Vadão, o chamado Carrossel Caipira, uma versão tupiniquim da Seleção Holandesa de Rinus Michel, da copa de 74, Rivaldo chamou logo a atenção dos grande clubes do futebol paulista.
Depois de uma temporada no Corinthians, foi contratado pelo Palmeiras onde foi campeão brasileiro e paulista. Em seguida foi para Europa jogar do Deportivo La Coruña, da Espanha. Seus gols logo despertaram o interesse do poderoso Barcelona, cuja torcida exigia um substituto para o atacante Ronaldinho, vendido à Inter, de Milão.


