Rivaldo muda estilo e pede fim de cobranças
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segunda-feira, 26 de abril de 1999
Por Ubiratan Brasil (Enviado Especial) 
Barcelona, 27 (AE) - O meia Rivaldo terá de mudar seu sentido de orientação, no amistoso de amanhã. Acostumado a frequentar o vestiário principal do estádio Nou Camp, onde tem um ármario com seu nome, agora vai utilizar o reserva, menos equipado. Também terá de enfrentar jogadores com quem está acostumado a treinar e atuar. "Só espero não passar a bola para nenhum de deles, por força do hábito", brinca o jogador, um dos principais ídolos do Barcelona.
Considerado peça-chave no esquema tático do técnico Wanderley Luxemburgo, Rivaldo garante não se incomodar com a também mudança na forma de jogar - enquanto no time catalão é obrigado a ficar preso na lateral esquerda, na seleção atuará no meio-de-campo, com mais espaço para tentar o drible. "Sei que devo adaptar meu estilo ao do treinador que estive no comando para continuar entre os titulares", comenta.
Nem tudo, porém, será modificado - da mesma forma que se destaca nas cobranças de falta pelo Barcelona, Rivaldo será encarregado de bater as que acontecerem próxima da área. O motivo é a eficiência: 26% dos gols feitos pelo Barcelona no Campeonato Espanhol saíram de cobrança de falta.
Apesar de hoje vestir a camisa amarela, Rivaldo promete manter o respeito aos aficcionados de seu clube: caso marque algum gol, não fará nenhuma comemoração efusiva. Na verdade, acredita que não estará desagrando a ninguém. "Acho até que serei aplaudido pelos torcedores do Barça, porque eles sabem que
se estou agora na seleção, é por estar jogando bem no time." Mesmo com o reconhecimento do público espanhol, o meia não consegue esconder sua mágoa com as críticas que recebe no Brasil.
"É muito mais difícil jogar pela seleção que pelo clube, porque a cobrança é muito maior", compara. "Ainda sinto que as pessoas esperam que eu prove meu valor, o que não é justo." Incomodado, Rivaldo até credita a um certo racismo o exagero de tantas exigências. "Se eu fosse paulista ou carioca, e não tivesse nascido no Recife, talvez fosse mais bem tratado"
critica.


