Rivaldo e Ronaldo, criticados muitas vezes, deram a volta por cima
Luiz Claudio Oliveira
Enviado da Folha
A Seleção Brasileira já teve os tempos de dupla Rô-Rô, com Romário e Ronaldo. Ontem, começou a ser formada uma nova dupla que tem os nomes iniciados por R: o mesmo Ronaldo e Rivaldo. Os dois praticamente venceram o Uruguai, marcando os três gols do jogo, e terminaram a Copa América como artilheiros, com cinco gols cada um. Ontem, eles recuperaram uma credibilidade ameaçada por uma sequência de más atuações.
É claro que não foram só os dois que jogaram bem. A Seleção fez o bom jogo que estava devendo, principalmente depois do primeiro gol, aos 20 minutos, marcado por Rivaldo. Muitos foram os que também jogaram bem, como Antônio Carlos, Émerson, Zé Roberto, Cafu, Roberto Carlos e Dida. Mas se há algum destaque, é a nova dupla do R.
Os dois, coincidentemente ou não, precisavam provar algo ainda na Seleção, mesmo sendo considerados dois dos melhores jogadores do mundo. Apesar dos gols marcados na Copa, vinham enfrentando críticas na competição.
Rivaldo foi expulso no jogo com o México e ficou de fora da partida com o Chile. Contra a Argentina, esteve mal em campo, mas mesmo assim marcou o gol de empate, numa bela cobrança de falta. Foi criticado até pelo técnico Wanderley Luxemburgo por carregar demais a bola.
Ronaldo lutou na Copa América para recuperar a credibilidade popular depois de um ano difícil, que começou na Copa da França, na qual passou por uma convulsão. Depois da derrota no Mundial, lutou contra seguidas contusões. Contra o Uruguai correu muito, chegando a acompanhar os laterais adversários na marcação. Perdeu gols, mas saiu da competição como artilheiro.
Ontem, os dois lavaram a alma deles e dos torcedores fazendo belas jogadas, passes, dribles, marcação, combate e principalmente gols. Artilheiros e completamente recuperados, os dois agora seguem para um período de férias. A lamentar, essa quebra de sequência em um trabalho que estava ficando cada vez melhor.
Rivaldo começou a partida sem muita inspiração, carregando a bola como sempre e perdendo o momento do possível passe aos colegas. Aos poucos ele e toda a Seleção, principalmente do meio para a frente, começou a se entender melhor.
Além de marcar dois gols, o meia foi o autor de um belo lançamento para o gol de Ronaldo. Depois da atuação contra o Uruguai, vai ser difícil dizer que Rivaldo é um quando joga no Barcelona e outro quando joga na Seleção. Ontem, foi ótimo.





