Rivaldo compete com Ronaldo na preferência dos fãs
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quarta-feira, 06 de outubro de 1999
Por Emerson Couto (Enviado Especial) 
Amsterdã, 07 (AE) - Rivaldo, ídolo máximo da garotada holandesa, mal consegue chegar ao campo de treinamento. Mais dificuldades na hora de ir embora, seguir para o vestiário. Ronaldo, em disputa acirrada com Rivaldo na preferência dos fãs, tenta correr, recebe tapinhas nas costas e na cabeça, forma um pouco estranha de carinho. O treino da seleção brasileira, hoje à tarde, no Sportpark Riekerhaven, no subúrbio de Amsterdã, foi invadido por crianças e evidenciou certa bagunça em sua organização.
Às 16h30 locais (meio-dia e meia pelo horário de Brasília), o ônibus da seleção chegou ao Sportpark, rodeado de crianças. Até mesmo o embaixador brasileiro na Holanda resolveu levar seus três filhos para ver Ronaldo e Rivaldo de perto. Pouco antes de o treino começar, as crianças corriam por todos os cantos do campo. Eram holandesas, surinamesas e muitas norte-africanas, algumas com a camisa do Brasil.
Enquanto as crianças eram retiradas, Mauro Antonio Félix da Silva, administrador da Confederação Brasileiro de Futebol (CBF), negociava com um representante da federação de futebol da Holanda e membros da BNN, um canal de televisão do país. Os representantes da emissora queriam que Ronaldo e Rivaldo chutassem uma bola e derrubassem oito vasos chineses, devidamente colocados um do lado do outro.
Segundo Erwin Smit, da BNN, Ronaldo fizera algo semelhante recentemente em Hokg Kong, acompanhado na namorada Milene Domingues, que Smit descreve, com gestos, com sendo a "menina das embaixadas".
Ronaldo gravava um filme. Smit queria fazer uma brincadeira, um pouco sem sentido, para um programa da BNN em que é editor. O técnido Wanderley Luxemburgo não gostou nenhum pouco da idéia. "Eles disseram que aqui as coisas são sérias, que não se faz brincadeiras", lamentou Smit, recolhendo os vasos. O programa dominical da BNN fala de futebol, mais especificamente de Frank Rijkaard, técnico holandês. O nome é "Think About Frank" (Reflita sobre Frank), desde janeiro no ar, uma forma irônica de criticar o treinador que não faz um bom trabalho. "Estamos descontentes; vai ser difícil vencer a Eurocopa 2000 dessa forma", comenta Smit.
O treino começa e as crianças continuam ao redor do campo. Aproveitam uma faixa de gramado não utilizada para improvisar um mini-campo. Uma delas rouba, inclusive, uma bandeirinha de escanteio do campo de jogo da seleção. A chuva chega mas não dispersa ninguém. Por volta das 18h30, enquanto os jogadores fazem um recreativo, Félix e o massagista Jorginho, com um bom inglês, tentam, com os representantes da Holanda, achar uma fórmula de evitar mais tumulto na saída dos atletas.
Os jogadores começam a sair e o campo é invadido. O segurança Francisco Marcelino, o Chicão, tem muito trabalho para conter o ímpeto dos fãs, sob o olhar passivo de três policiais que acabaram de aparecer. Rivaldo quase não consegue andar. "Em qualquer lugar, passamos por este assédio", ameniza Luxemburgo. "Fico feliz pelo carinho e reconhecimento, mas não posso dizer que fiquei mais popular que o Ronaldo", explica Rivaldo. "Cada um faz seu trabalho e não há comparações."


