Rivaldo amarga ostracismo no São Paulo
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sábado, 02 de julho de 2011
Bruno Deiro <br> Agência Estado 
São Paulo - Exaltado nas arquibancadas e preterido pelo técnico, Rivaldo é um dos pivôs da insatisfação da torcida do São Paulo com Paulo César Carpegiani. Cada vez menos valorizado no Morumbi, o veterano meia foi titular em apenas seis dos 30 jogos desde sua estreia, que neste domingo completa cinco meses.
Aos 39 anos, Rivaldo não inicia uma partida há dois meses e meio e perdeu prestígio até nos bastidores do clube. O pentacampeão mundial, que chegou a indicar atletas para o elenco, foi multado após bater de frente com o técnico e teve de se resignar com chances no decorrer dos jogos. Em quase todos, porém, tem seu nome gritado pelos torcedores.
Contra o Botafogo, na última quarta-feira, Rivaldo ganhou oportunidade após o intervalo, em boa parte por pressão da torcida. Após a derrota por 2 a 0, porém, ele fugiu de nova polêmica com o treinador. ''Tive chance, mas perdendo por 2 a 0 fica complicado. Mas quero evitar confusão, tudo que falo entendem de outro jeito'', disse o meia, que entrou logo após o time levar o segundo gol.
Licenciado da presidência do Mogi Mirim, Rivaldo garantiu que vai cumprir o contrato com o São Paulo, válido até o fim do ano. ''Tenho lenha para queimar. Muitos falaram que eu iria sair, mas quero ficar'', avisou o jogador.
A suplência, porém, tem sido sua realidade. Em seis dos 17 jogos em que iniciou na reserva, ele nem sequer saiu do banco. Na média, atuou 19 minutos quando entrou ao longo das partidas. Rivaldo não inicia um jogo desde 17 de abril, contra o Oeste, pela rodada final da primeira fase do Paulistão - com o time já classificado, Carpegiani escalou os reservas.
A passagem de Rivaldo até agora pode ser resumida em quatro etapas: bom início, lesão, nova chance e suplência. Esta última, porém, já dura metade dos cinco meses desde sua estreia.
Sem reforços de impacto, Rivaldo surgiu no fim de janeiro como principal nome do São Paulo para o ano. De cara, assumiu o posto de titular contra o Linense, no Morumbi. Na vitória por 3 a 2, fez seu primeiro e único gol, e conquistou a torcida com boa atuação.
Com moral, Rivaldo sugeriu Edson Ramos e a diretoria prontamente contratou o lateral, revelado no Mogi Mirim e ex-companheiro do meia na Europa.
Pouco depois, porém, uma lesão na coxa direita o tirou do time e coincidiu com a volta de Lucas, bastante valorizado após ter brilhado na seleção Sub-20.
Quando Rivaldo ainda estava no departamento médico, a vinda de Luís Fabiano ofuscou de vez sua presença. No retorno, ele foi para a reserva e viu do banco o centésimo gol de Rogério Ceni. No jogo seguinte, foi titular no Recife, sua terra natal, contra o Santa Cruz, pela Copa do Brasil. Como o restante do time, pouco fez na derrota por 1 a 0.
De volta à reserva, assistiu à queda diante do Avaí, pela Copa do Brasil, e reclamou do técnico em público. A diretoria, porém, bancou Carpegiani e multou Rivaldo em 20% do salário, de R$ 100 mil mensais. A recente rescisão do acordo com Edson Ramos, foi outra mostra da falta de sintonia entre o meia com a diretoria.
Há 13 jogos no banco, Rivaldo esteve à disposição em 12 - contra o Atlético-MG, foi liberado para resolver problemas pessoais. Carpegiani insiste, porém, que ele está nos planos. A explicação é que o time tem de estar completo para que o meia possa render.
''O Rivaldo necessita de um jogador para receber um lançamento, para ele colocá-lo na cara do gol'', diz Carpegiani. ''Voltando o Fernandinho, o Rivaldo começa a ter chance. Se tenho só ponta de lança, vamos ter dificuldade a mais para chegar com o Rivaldo.''


