Rivais tentam relaxar na véspera da decisão
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quinta-feira, 29 de outubro de 1998
Livio Oricchio Agência Estado 
Poderia ser apenas um ato da guerra psicológica entre Mika Hakkinen e Michael Schumacher, mas não é. As declarações evasivas - desinteressadas até - dos dois pilotos ontem em Suzuka lembram tudo, menos que ambos estão disputando o título mundial no fim-de-semana. Estou realmente surpreso com meu estado de relaxamento, disse o finlandês Hakkinen. Schumacher comentou que talvez no dia da prova ele sinta o que está acontecendo. Hoje à noite a TV Globo transmite, a partir das 2 horas, o treino que define o grid do GP do Japão. A prova será realizada na madrugada de sábado para domingo.
Indiferença extrema não é sinônimo de polidez nas competições esportivas. A história das últimas definições do campeonato, onde atitudes antidesportivas interferiram no resultado do Mundial, deve estar influenciando Hakkinen e Schumacher. Os dois falam do GP do Japão como se fosse algo distante de suas realidades, criando um clima bem distinto do vivido, por exemplo, há dez anos no mesmo circuito de Suzuka. Em 1988, a rivalidade entre Ayrton Senna e Alain Prost estabeleceu um clima de júbilo pela conquista do campeonato.
Hakkinen, que nunca foi campeão do mundo, chegou ao ponto de dizer que deseja vencer, claro, mas que não é imprescindível chegar ao título. Depois comentou que suas possibilidades de ser campeão dependem de como a corrida se desenvolver. Não é uma questão de não desejar me tornar campeão, mas não é real eu ficar aqui dizendo que vou ser o segundo, terceiro ou primeiro na prova. A necessidade de vencer condiciona o comportamento de Schumacher: Não tenho escolha, trabalhamos com um único objetivo, que é ganhar.
Hakkinen e Schumacher comentaram sobre a importância dos segundos pilotos de suas equipes, David Coulthard e Eddie Irvine, na conquista do Mundial. Espero que o Eddie repita o bom trabalho que já fez várias vezes este ano durante as corridas e em testes, disse o alemão. É bom não esquecer que o Eddie também deseja fazer o melhor para ele próprio. Como Schumacher, Hakkinen reconhece que Coulthard poderá lhe ajudar muito, mas tudo dependerá de como a corrida irá se desenvolver. Não dá para elaborar uma tática de ele me auxiliar sem saber o que irá ocorrer depois da primeira curva.


