São Paulo, 04 (AE) - Em momento de decisão um pedaço de papel, uma mensagem ou até mesmo as dificuldades extra-campo do adversário são utilizados pela comissão técnica dos times na tentativa de aumentar a motivação e o moral dos jogadores. Com corintianos e são-paulinos não é diferente.
Recortes de jornais, entrevistas gravadas, bilhetinhos, músicas, vídeos, declarações dos adversários... No Corinthians, vale tudo para motivar o time nas partidas decisivas. O clube conta com uma equipe só para pinçar detalhes que possam mexer com os brios dos jogadores nas palestras comandadas pelo técnico Oswaldo de Oliveira.
Como não conta mais com o auxílio da psicóloga Suzy Fleury, que agora trabalha exclusivamente com a seleção, Oswaldo assumiu o trabalho com o aspecto emocional do grupo. "Essa é uma das obrigações da minha profissão, disse. "Em toda preleção, eu uso alguns recursos, de acordo com a importância do jogo, afirmou Oswaldo.
A equipe de apoio costuma editar uma fita, com duração de cinco a dez minutos, com mensagens para os jogadores. Oswaldo exibe o vídeo e depois conversa por cerca de 20 minutos com os craques, inflamando-os para a batalha.
Uma das palestras de Oswaldo mais elogiada pelos jogadores foi aquela da véspera do jogo decisivo com o Palmeiras
pelas quartas-de-final da Taça Libertadores da América. Na ocasião, ele mostrou imagens dos familiares dos atletas enviando mensagens de incentivo. "Tudo isso mexe muito com o nosso psicológico; as palestras são capazes até de reverter situações contrárias ao nosso time, disse o meia Marcelinho Carioca.
"Temos de saber dosar descontração e concentração porque os atletas vão sair da preleção direito para o ônibus, que vai levá-los ao estádio: é um momento muito importante e delicado, afirmou Vágner Martinho, da equipe que seleciona as mensagens para os corintianos. Um dos alvos preferidos durante o ano foi justamente o técnico do São Paulo, Paulo César Carpegiani, e suas declarações polêmicas. Quando ele ficou sem dar entrevistas por dois dias, antes do primeiro jogo das semifinais, o grupo responsável pelo trabalho motivacional no Corinthians lamentou bastante.
FRESCURA - "Este negócio de bilhetinhos é frescura", ironizou o método corintiano o são-paulino Carlos Miguel, que deve voltar ao time neste domingo. "Só o fato de ser uma decisão já traz uma motivação extra para os jogadores", concluiu.
No São Paulo, o "psicólogo" do grupo é o próprio técnico Paulo César Carpegiani. "Nesse momento de decisão o lado emocional é mais importante que o físico e técnico", disse o treinador são-paulino. Um fator negativo fora do campo de jogo colaborou para aumentar o moral do time do Morumbi. A união da equipe ficou maior após os problemas enfrentados nos tribunais. A perda dos três pontos para o Botafogo e a punição ao atacante Sandro Hiroshi tornaram o time mais forte.
O time iniciou uma arrancada nos últimos jogos da fase de classificação e, mesmo perdendo quatro pontos na classificação - três para o Botafogo e um para o Internacional-RS -, terminou em quinto lugar na tabela.
Os torcedores esperam que a áspera discussão entre Carpegiani e o coordenador de Futebol, Rubens Minelli, sexta-feira à tarde no Centro de Treinamento possa, novamente, colaborar para um bom desempenho do time dentro de campo.
O atacante Jaques, que deve ficar no banco de reservas como principal opção para o sistema ofensivo do time são-paulino
tem como grande motivação poder dedicar um gol para sua mulher, Graziele. "Estou devendo um gol para ela", disse o jogador, que está casado há cerca de quatro meses. (Colaboraram Emerson Couto e Wilson Baldini Jr.)

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