Rio - A um mês da cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos, o Rio luta para evitar que as instalações esportivas erguidas para a competição continental se transformem em ''elefantes brancos''. Há projetos para que todas as construções sejam aproveitadas após as disputas para o desenvolvimento de trabalhos sociais ou concedidas à iniciativa privada.
Na obra mais cara dos Jogos, porém, recuperar o investimento já não será possível. O Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, consumiu R$ 400 milhões e não será possível alcançar esse valor na hora de cedê-lo a algum clube ou empresa para ser explorado comercialmente, segundo o secretário municipal de Obras e Serviços Públicos, Eider Dantas. A previsão é a de que o local precise anualmente de R$ 4 milhões para a manutenção.
E o Botafogo saiu na frente para ficar com o estádio. O presidente alvinegro Bebeto de Freitas informou que em dez dias o clube, em parceria com uma empresa estrangeira especializada em gerenciar equipamentos esportivos e arenas de entretenimento, fará uma oferta para ficar com o local. O Fluminense e duas empresas de marketing também demonstraram interesse em administrar o estádio após o Pan.
Na Cidade dos Esportes, em Jacarepaguá, orçada em R$ 203,3 milhões, todas as instalações já têm seus destinos decididos. A arena multiuso também será concedida para a iniciativa privada e a expectativa é a de arrecadar R$ 120 milhões com a cessão - o Botafogo também tem interesse neste empreendimento. Já o velódromo, instalação inédita no País, ficará sob a responsabilidade da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), assim como o Parque Aquático Maria Lenk irá para a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).
''Ainda não conversei com o prefeito (do Rio, Cesar Maia) sobre a manutenção do parque aquático, porque a CBDA não tem condições de arcar com os custos'', disse o presidente da entidade Coaracy Nunes. ''Mas terei condições de colocar 15 mil crianças aprendendo a nadar. Vai ser uma maravilha para aquela área que só tem dois clubes.''
Outra instalação que ajudará o carioca será o Complexo Esportivo Deodoro, que abrirá para a população as instalações militares na região. No local, foram erguidos os centros nacionais de hipismo, tiro esportivo, tiro com arco, além do hóquei sobre a grama. Após os Jogos, universidades e escolas públicas vão explorar o local com seus alunos.
No total, o Pan do Rio será disputado em 29 instalações esportivas. E, até para evitar que o dinheiro público fosse gasto erroneamente e seguindo uma orientação do Comitê Olímpico Internacional (COI), somente 21% destes equipamentos são novas construções.
Além das construções permanentes, o Rio também se beneficiará das instalações que foram remodeladas para os Jogos. Um exemplo é o ginásio do Maracanãzinho, que sofreu uma reforma completa, ao preço de R$ 92 milhões, e também poderá ser concedido à iniciativa privada, de acordo como secretário estadual de Turismo, Esporte e Lazer, Eduardo Paes.
Com o futuro das instalações decidido, a preocupação carioca no momento é a de concluir as obras. Principalmente, porque os governos municipal, estadual e federal falharam ao não cumprir os cronogramas de entrega - a previsão era a de que tudo estivesse pronto a 90 dias da disputa. Os problemas jurídicos, desentendimentos políticos e os entraves para a liberação de verbas foram os principais vilões no atraso das obras.
Atualmente, o ritmo de trabalho está acelerado na tentativa de evitar que um vexame maior ocorra e alguma instalação não fique pronta. A promessa é a de que quase tudo seja entregue no início de julho, a uma semana do início das disputas.

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