Rio tem clubes profissionais e dirigentes amadores
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segunda-feira, 01 de novembro de 1999
Por Rodrigo Mattos (Especial para AE) 
Rio, 02 (AE) - O processo de profissionalização dos clubes cariocas tem esbarrado em condutas amadoras de dirigentes habituados a métodos antigos de gerir o futebol. Isso pode comprometer a fase de transição dos clubes, que estão se transformando em empresas para se adaptar a Lei Pelé. No Flamengo, o superintendente de Futebol, Gilmar Rinaldi, tem sofrido duras críticas do diretor Eugênio Onça e do atacante Romário, por exigir deles um comportamento profissional.
Ao intervir na confusão, o presidente do clube, Edmundo Santos Silva, preferiu contemporizar, evitando punir Onça e Romário. "Sempre quando o regime é modificado há um processo normal de adaptação", explicou Edmundo. Segundo o presidente, não existe disputa entre os dirigentes amadores e os profissionais. "Cada um tem a sua função específica e isso ficou melhor definido agora." Essas questões internas têm impedido o Flamengo de fechar o contrato de parceria com a empresa suíça, ISL - International Sports Licensing.
Apesar dos esforços de Edmundo, a negociação já se arrasta há mais de três meses também por causa da resistência de alguns integrantes da direção do clube. O vice-presidente Rodrigo Dunshes de Abranches é o principal opositor do projeto, alegando que a ISL está sendo beneficiada.
Em processo de recuperação, o Fluminense enfrentou divergências dentro da diretoria recentemente, que resultaram no afastamento de Francisco Horta da vice-presidência de Futebol, um dos principais incentivadores da "profissionalização" do Tricolor. O clube busca uma parceria para administrar a "marca" Fluminense.
No Vasco, o vice-presidente Eurico Miranda mantém uma relação peculiar com os principais investidores do clube. "Nós resistimos à transformação do clube em empresa, pois não permitimos interferências em nossa gestão", disse Eurico, acostumado a gestos intempestivos, como os de invadir o campo para reclamar da arbitragem e proibir a entrada de jornalistas no Estádio de São Januário. Para ele, o Vasco jamais se transformará em empresa. "A cultura do futebol brasileiro não admite dirigentes profissionais; nossos dirigentes são amadores, mas contratam profissionais para administrar o futebol."
O Botafogo também tem a sua versão Eurico Miranda: trata-se do vice-presidente Carlos Augusto Montenegro, que prometeu anunciar nas próximas semanas o parceiro do Botafogo para o ano 2000. Ele interveio na direção do clube recentemente, com o apoio dos conselheiros alvinegros, e tentou livrar o Botafogo do vexame no Campeonato Brasileiro com ofensas e acusações aos jogadores. "Dirigente que for tranquilo e educado deve adotar o golfe como esporte." De acordo com Montenegro, as "atitudes intempestivas" dos dirigentes não interferem na profissionalização do futebol.


