Rio - Pressionado pelas manifestações e a queda acentuada de popularidade, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), decidiu ignorar o contrato do Estado com o Consórcio Maracanã e anunciou que o Estádio de Atletismo Célio de Barros não será mais demolido. Ele deixou claro também que o processo de concessão do Maracanã à iniciativa privada pode até ser cancelado. "Vamos dar 20 dias para o consórcio estudar as mudanças. A concessão está em suspenso", avisou.
Na última segunda-feira, Sérgio Cabral já desistira de demolir o Parque Aquático Julio Delamare, que assim como o Célio de Barros, integra o Complexo do Maracanã. Inicialmente, as duas instalações seriam destruídas para dar lugar a um shopping, com lojas e dois edifícios-garagem.
Críticas à concessão do Maracanã e gastos de mais de R$ 1 bilhão na reforma foram bandeiras dos manifestantes no início da onda de protestos, em junho. Sérgio Cabral se tornou alvo, com protestos em frente ao prédio onde mora (no Leblon, zona sul da cidade) e cobranças de explicações para a origem de seu patrimônio e o uso de helicóptero do Estado para levar a família à casa de veraneio na Costa Azul.
Sem os espaços que teria com as demolições, a concessionária terá de rever o plano de negócios caso queira manter a concessão. A privatização do estádio foi formalizada em 9 de julho. "Vamos (...) ver se é possível, somente com as receitas do estádio, obter os resultados que prevíamos", disse o presidente do consórcio, João Borba, que, demonstrou preocupação com as novidades. "Fui surpreendido. Não sei o que vai acontecer. Temos de ouvir os acionistas, eles é que vão decidir."

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