Só apoioA chance do Brasil sediar a Olimpíada morreu ontem. A Argentina é esperança de a competição sair no MercosulO Rio de Janeiro perdeu a ‘‘batalha’’ para Buenos Aires e não será a sede dos Jogos Olímpicos de 2004. O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou ontem, em Lausanne, na Suíça, as cinco cidades que continuam na ‘‘guerra’’ para organizar a 28ª edição dos Jogos. Além da capital argentina, Atenas (Grécia), Cidade do Cabo (África do sul), Roma (Itália) e Estocolmo (Suécia) foram escolhidas por 14 delegados do COI. Também estão fora da briga: San Juan (Porto Rico), Istambul (Turquia), São Petersburgo (Rússia), Lille (França) e Sevilha (Espanha).
‘‘Foi uma imensa surpresa’’ disse Ronaldo Cezar Coelho, presidente do Comitê Rio 2004. ‘‘Acreditava que iríamos à final. Quando o COI anunciou que eram cinco as finalistas, aí eu tinha certeza’’, acrescentou.
A confiança brasileira se devia à apresentação do grupo aos 14 eleitores do COI, ontem. Após a exposição da candidatura, nenhuma pergunta foi feita. E a comitiva recebeu aplausos. Aos argentinos, diferentemente, foram dirigidas oito questões. O Rio 2004 via nisso um claro sinal da preferência dos sisudos delegados pela capital fluminense.
Apesar da derrota para seus tradicionais rivais, os brasileiros tornaram público o apoio a Buenos Aires na segunda fase. ‘‘Essa tem de ser a Olimpíada do Mercosul. Se a Argentina ganhar, nós, como vizinhos e amigos, também ganharemos’’, afirmou o ministro dos Esportes, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, a grande estrela da comitiva brasileira. ‘‘Apoiar Buenos Aires é a opção mais coerente agora. É natural que estejamos com nossos amigos argentinos’’, disse Coelho. Essa não é, todavia, a opção mais coerente para o Brasil. Lançada hoje, a idéia de concorrer aos Jogos de 2008 fica praticamente inviabilizada com a vitória de uma cidade sul-americana para os Jogos de 2004. Mas os brasileiros, aparentemente, desconsideram isso. ‘‘O sonho de ter uma Olimpíada no Rio se tornou um projeto permanente’’, afirmou Coelho. ‘‘É só trocar o 4 pelo 8’’, sugeriu Luiz Paulo Conde, o prefeito.

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