Rio - A impressão é de um grande canteiro de obras. O Rio passa por transformações urbanísticas para receber os Jogos Olímpicos de 2016. Ao contrário de Londres, que concentrou as revitalizações em uma região específica da cidade, no caso brasileiro as mudanças são pulverizadas e englobam quatro grandes áreas da capital fluminense - Barra da Tijuca, na zona oeste, Maracanã e Deodoro, ambos na zona norte, e região portuária, no centro. São transformações que interferem diretamente na vida de 2 milhões de habitantes (ou um terço da população carioca).
''Nossa visão estratégica é que em 2020 o Rio seja a melhor cidade no hemisfério sul para se viver, trabalhar e visitar'', diz Maria Silvia Bastos Marques, presidente da Empresa Olímpica Municipal (EOM), criada pela Prefeitura para coordenar a execução dos projetos relacionados à preparação para os Jogos de 2016.
A ambição é grande. As transformações mais nítidas ocorrem atualmente na região portuária do Rio. Ali, um projeto de R$ 8 bilhões, batizado de Porto Maravilha, está sendo implantado para recuperar uma área degradada. A expectativa da Prefeitura é mais que triplicar o número de habitantes na região - de 28 mil para 100 mil pessoas em dez anos - e aumentar em 700 mil a população flutuante diária.
Planejamento
A cidade ainda tem na paisagem erros cometidos na preparação para os Jogos Pan-Americanos de 2007. Algumas instalações construídas na época, como o Parque Aquático Maria Lenk e o Velódromo, terão de passar por modificações profundas para se adequarem aos requisitos do Comitê Olímpico Internacional (COI). A Vila do Pan, na Barra, tem apenas metade dos apartamentos ocupada hoje, depois de problemas no solo da área que estava ''afundando''.
Para a urbanista Denise Barcellos Pinheiro Machado, diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), falta um estudo mais profundo da cidade. ''As coisas vão acontecendo muito mais conforme as oportunidades do que por meio de uma visão mais macro, mais pensada'', avaliou.
De acordo com a Empresa Olímpica Municipal (EOM), na fase de candidatura do Rio à sede dos Jogos Olímpicos, a organização se preocupou em identificar quais equipamentos seriam temporários e quais seriam permanentes, para dar a correta destinação das construções no futuro.
O Parque Olímpico, por exemplo, deve se transformar em um bairro após os Jogos de 2016. O Porto Olímpico, área de 850 mil metros quadrados na zona portuária, que abrigará as vilas de Mídia e de Árbitros, além de instalações olímpicas temporárias, será um condomínio residencial, assim como a Vila dos Atletas, em construção na Barra da Tijuca.
A inovação no planejamento fica por conta dos equipamentos temporários, onde foi adotado o conceito de ''arquitetura nômade'': o que antes era instalação esportiva passa a ter outros usos, em outros locais. A arena de handebol, por exemplo, será transformada em quatro escolas de 60 salas de aula, ainda sem local definido. Outros temporários se tornarão bibliotecas, creches, teatros ou estádios esportivos após 2016.

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