São Paulo - Foram 123 dias em uma apertada cela na Polícia Federal. Motivo: o governo panamenho o acusa de tráfico e lavagem de dinheiro. Vários amigos muito íntimos sumiram com medo de Rincón ser culpado. Tinham certeza de que ele ficaria três anos preso antes de ser extraditado ao Panamá.
Nesse período, Rincón não quis ver fotos nem dos filhos. E não permitiu que fossem à cadeia para vê-lo. Sufocava a saudade escrevendo sua biografia. Sem fome, corria o dia inteiro. Seu peso caiu de 102 para 91 quilos. Até que um inesperado habeas corpus foi dado pelo Supremo Tribunal Federal. Chegou a liberdade e a hora da vingança.
''Sei que a vingança não é o sentimento ideal, mas não vou perdoar quem fez a minha família sofrer tanto. Fui apenas um bode expiatório de uma situação envolvendo gente poderosa do Panamá'', disse Rincón, na primeira entrevista desde que deixou a prisão na última sexta.
''Até o nojento do presidente do Santos (Marcelo Teixeira) quis se aproveitar da minha prisão achando que vai ganhar a ação (de R$ 13 milhões) que tenho contra o clube ao qual emprestei dinheiro. Vou limpar o meu nome e cobrar quem me prejudicou'', afirmou o ex-jogador colombiano, que fez sucesso no futebol brasileiro - além da camisa santista, defendeu Palmeiras e Corinthians.
Rincón foi preso por ter investido US$ 750 mil (cerca de R$ 1,4 milhão) na empresa panamenha de lanchas Nautipesca. Por trás da empresa estava o amigo Pablo Rayo MontaÀo, que é acusado de ser traficante de drogas. Segundo o ex-jogador, foi a ex-presidente do Panamá, Mireya Moscoso, quem o convenceu a investir na Nautipesca, que teve cocaína encontrada em suas lanchas.
Antonio Roque Citadini, Vampeta, César Sampaio, Cris e Ewerthon foram as únicas pessoas do mundo do futebol que o visitaram. ''Tomei um tapa na cara quando vi o Citadini, com quem tive tantos problemas, me ajudando'', concluiu.

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