Ricardo Teixeira confirma doações para políticos
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terça-feira, 10 de abril de 2001
Agência Estado De Brasília 
Apesar de o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira (foto), afirmar em seu depoimento na Câmara dos Deputados, que a entidade vive uma situação de penúria desde 1995, a entidade torrou R$ 562,5 mil, só em 1998, com o financiamento de campanhas eleitorais de deputados federais e senadores aliados. No total, a CBF distribuiu R$ 5.138.000,00 entre políticos e associações, como a dos funcionários da Polícia Federal, além de federações de futebol. As doações, que variaram entre R$ 5 mil e R$ 100 mil, foram parar no caixa de campanha de figuras da política nacional, como Delfim Netto (PPB-SP), o líder do PFL no Senado, Hugo Napoleão (PFL-PI), o senador José Agripino Maia (PFL-RN), o presidente do Vasco, deputado Eurico Miranda (PPB-RJ) e o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), que recebeu ao todo R$ 100 mil.
As doações da CBF a políticos, feitas a um mês das eleições de 98, também foram parar no cofre de uma empresa de Manaus (AM), a Indústria e Comércio de Malhas Alex Ltda, segundo o deputado Pedro Celso. O dinheiro, R$ 14,9 mil, foi repassado a título de auxílio à Federação de Futebol de Rondônia.
Sobre as doações de campanha, afirmou que são perfeitamente legais e ocorreriam de comum acordo com o colegiado da CBF, já que naquele ano a confederação perdeu o título de entidade sem fins lucrativos, tornando-se uma empresa.
Ele negou que a empresa patrocinadora da seleção brasileira, a Nike, interfira na escalação dos jogadores. A melhor prova de que isso não ocorre, segundo o dirigente, é o fato do então técnico Wanderley Luxemburgo ter recusado o pedido da empresa para escalar o atacante Ronaldinho num amistoso da Austrália.
Segundo ele, a situação de dificuldade crônica nas finanças da CBF, a partir de 1995 foi provocada pela decisão da federação de abrir mão dos 5% que recebia da renda bruta do campeonato brasileiro e de mais 7,5% dos direitos de transmissão das partidas de futebol. Além da taxa de 2% das transferências internacionais (de jogadores) entre 1998 e 2000, que teria causado um prejuizo de US$18 milhões.


