Ricardo Pinto abandona a carreira para abrir escolinha
O goleiro Ricardo Pinto, campeão brasileiro da Série B pelo Atlético Paranaense em 95, está abandonando a carreira. Com 34 anos e longe dos gramados desde novembro do ano passado, quando deixou o Goiás, o goleiro sai de um sonho já realizado - que era o de ser atleta profissional - para entrar num outro: abrir uma escolinha de futebol.
O empreendimento vai nascer com o nome de Centro Esportivo Ricardo Pinto e deverá começar a funcionar em junho. Junto com a inauguração, o goleiro, que quer também ser treinador, pretende organizar uma partida para fazer a sua despedida oficial.
Nascido no dia 23 de janeiro de 1965, em Cachoeiro do Itapemirim (ES), Ricardo Pinto finaliza uma carreira que começou em 1982, quando começou a jogar na Desportiva Ferroviária (ES). A partir daí passou pelo Fluminense, Cerro Porte¤o (Paraguai), Americano (RJ), União São João (SC), Corinthians, Atlético Paranaense, Iraty e Goiás.
Arquivo FolhaO número 1Nos tempos de Atlético: paixãoEntre os principais títulos, tem no currículo o de campeão nacional pelo Cerro Porte¤o (Paraguai) em 92, Taça Rio pelo Fluminense em 89, 90 e 91, Taça Guanabara, também pelo tricolor carioca, em 93, campeão paulista e da Copa do Brasil pelo Corinthians em 95 e campeão brasileiro da Série B pelo Atlético em 95. Na galeria de troféus, o goleiro sente falta de um. É uma frustração não ter conquistado o Brasileiro da Série A, ele revela.
Junto com a família - Parar com o futebol hoje, segundo Ricardo, é uma decisão com 99% de certeza. Isto porque, de acordo com o goleiro, ainda há uma possibilidade, mesmo que remota, de voltar a vestir a camisa número 1 de algum clube profissional. Hoje tenho na minha cabeça que não quero mais voltar a jogar. Isso só aconteceria se recebesse uma proposta irrecusável financeira e profissionalmente, o que acho difícil, diz.
Os 99% de certeza que o goleiro tem para largar o futebol são baseados em dois motivos: ficar mais perto da esposa Andressa e dos filhos Gabriel e Rafael e fugir das promessas enganosas de dirigentes.
Não consigo viver mais longe da minha família e não quero mais ter de ficar fazendo renegociações de salários com clubes que não pagam o que prometem na hora da contratação, declara, ressaltando que o último episódio desse tipo aconteceu no Goiás, no qual teve que receber menos do que o combinado para não perder tudo.
Com essa realidade, Ricardo optou pela escolinha de futebol para começar uma nova vida, com a certeza de que tem muito para ensinar às novas gerações. Cheguei a pensar em outras atividades, como abrir um posto de gasolina, mas a escolinha é uma boa forma de continuar ligado ao futebol.
Curitiba - A escolha por Curitiba se deu pelo carinho com o qual foi recebido. Ainda hoje continuo sendo muito bem tratado em todos os lugares que vou na cidade. Até torcedores do Paraná e do Coritiba me pedem autógrafos. Eu e minha esposa fizemos mais amizades aqui do que em outras cidades em que passamos, afirma o goleiro.
Para Ricardo, a identificação com Curitiba é enraizada também por estarem na cidade as três maiores alegrias da sua vida no futebol: o Atlético, a Baixada e a torcida rubro-negra. Apesar de ter passado por vários clubes, nunca senti tanta emoção como a vivida com a nação atleticana. Estar na Baixada lotada defendendo o Atlético é algo indescritível.
Essa emoção é tão grande que, conforme explica Ricardo, apaga o episódio ocorrido nas Laranjeiras, no Rio de Janeiro, no dia 10 de novembro de 1996, numa partida entre o Atlético e o Fluminense pelo Brasileiro.
Descontentes com o desempenho do seu time, que perdeu para o rubro-negro por 3 a 2, os torcedores tricolores invadiram o gramado e agrediram alguns jogadores do Atlético. Ricardo Pinto foi atingido na cabeça e chegou a ficar internado alguns dias na UTI de um hospital em Curitiba. Foi triste o que aconteceu, mas só guardo como lembranças os fatos bons da carreira.
Curso de treinador - Ao iniciar a nova atividade profissional, Ricardo pretende ainda começar a trilhar um outro caminho também no futebol. Paralelo ao tempo que dedicará ao empreendimento, Ricardo quer fazer cursos de treinador para aplicar o aprendizado na própria escolinha e já ir se preparando para uma possível carreira de técnico. É um outro sonho que tenho e que pretendo realizar.Leandro TaquesEm famíliaO goleiro brinca com o filho Gabriel: Centro Esportivo Ricardo Pinto deve começar a funcionar em junhoEd Carlos Rocha





