Rio de Janeiro - Ao deixar ontem o cargo de técnico da seleção sub-23, Ricardo Gomes absolveu os jogadores pela não-classificação da equipe para os Jogos de Atenas.
Ele negou que os atletas tenham cometido algum ato de indisciplina, mas reclamou das más condições físicas em que a maioria teria se apresentado à seleção no Brasil, os jogadores vivam o final da temporada quando começaram a treinar, em dezembro de 2003.
''Se não conseguimos a classificação, a culpa foi minha'', declarou Gomes, repetindo o discurso adotado momentos depois da derrota para o Paraguai, no domingo, que eliminou o Brasil do Pré-Olímpico.
''Eu convoquei os atletas, escalei o time, decidi o esquema tático. Assumo todas as responsabilidades'', disse o treinador.
''Já os jogadores foram sempre muito dedicados, e não houve problema de indisciplina em nenhum momento. Culpar as brincadeiras (pela eliminação da seleção) não é justo. Na verdade, os jogadores não chegaram em boas condições físicas. Isso pesou'', disse Gomes, que se reuniu com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, por cerca de 30 minutos no final da tarde de ontem.
A atitude de Robinho, que abaixou o calção de Diego diante dos fotógrafos no início da competição, foi considerada um ato isolado pelo treinador. ''Aquilo foi desagradável. Mesmo assim, ele pediu desculpas a todo o grupo'', disse o ex-zagueiro e capitão da seleção na Copa de 90, quando o Brasil foi eliminado nas oitavas-de-final.
Mesmo com a desclassificação do time, Gomes disse que não mexeria no grupo. ''Se tivesse de convocar a seleção novamente, chamaria os mesmos atletas. O que nos faltou foram os gols. Se as oportunidades tivessem sido aproveitadas, a situação seria outra hoje'', disse Gomes.
Contratado pela CBF em dezembro de 2002 para comandar o time até a Olimpíada, Gomes ganhava R$ 60 mil mensais. Depois da experiência fracassada na CBF, disse que quer ''aproveitar o tempo para repensar o que aconteceu''. ''Depois, vou dar prosseguimento ao meu trabalho como treinador.''
Enquanto Gomes deixava oficialmente a seleção, o também ex-jogador Branco, chefe da delegação no Chile, não se reuniu com Teixeira.
Ele está em Bagé (RS) e, assim, ainda não entregou o relatório que preparou sobre a campanha do time no Pré-Olímpico para a cúpula da CBF. No texto, não poupa críticas aos santistas Diego e Robinho.

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