Ricardo Gomes em sintonia com Parreira
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quinta-feira, 17 de julho de 2003
Agência Estado 
Cidade do México - Técnico do time Sub-23 do Brasil, Ricardo Gomes trabalha em sintonia com Carlos Alberto Parreira, mas não precisa seguir à risca os métodos e conceitos do treinador da seleção principal.
Diferentemente de países como a Alemanha e a Itália, por exemplo, em que as equipes de base são ''clones'' da principal, no Brasil cada treinador tem liberdade para armar o time do jeito que achar melhor em função das características dos jogadores que tiver à disposição. ''Eu, o Parreira e o Valinhos (técnico da Sub-20) temos em comum o fato de adotarmos o 4-4-2, mas dentro desse esquema cada um impõe suas variações. O fundamental é a troca constante de idéias entre nós e a possibilidade de observar os jogadores da categoria de baixo'', explicou Gomes.
A prioridade na convocação dos jogadores é da seleção principal. Se Parreira quiser contar com um atleta da Sub-23 ou da Sub-20, leva. Em seguida, vem a Sub-23. Há exemplos para demonstrar como funciona essa hierarquia. O atacante Adriano, do Parma, estava nos planos de Gomes para a Copa Ouro. Mas não foi chamado porque Parreira o levou para a Copa das Confederações e em seguida, ele ganhou férias. Valinhos poderia convocar André Bahia, Carlos Alberto e, possivelmente, Nilmar, para os Jogos Pan-Americanos, mas os três foram para o México com a Sub-23.
E há os casos de Diego e Robinho. Os astros santistas têm idade para jogar o Mundial Sub-20 no final do ano nos Emirados Árabes Unidos, mas foram ''vetados'' para integrar a equipe de Valinhos porque Parreira entende que os dois estão acima dos outros jogadores dessa categoria e, por isso, podem queimar etapas. Tanto que foram chamados por ele para o amistoso do time principal contra o México, em Guadalajara, e são muito importantes para Gomes no grupo que em janeiro disputará o Pré-Olímpico no Chile.
Diego jogou alguns minutos na seleção principal e, mesmo sendo o mais novo do grupo convocado para a Copa Ouro, tornou-se o cérebro e referência técnica do time.
Gomes quer que a CBF marque alguns amistosos para a Sub-23 nas datas em que a seleção principal tiver jogos pelas Eliminatórias, em setembro e novembro, mas sabe que terá de abrir mão dos jogadores que forem convocados por Parreira e também dos que atuam na Europa, como Thiago Motta e Éwerthon. Ele acredita que, do grupo que trouxe para o México, Kaká, Diego e Luisão deverão ser aproveitados nas Eliminatórias. Sem falar no atacante Adriano.
''Temos ótimos jogadores para todas as categorias. Daqui a dois ou três anos, essa molecada da Sub-20 e da Sub-23 vai estar jogando muito. É por isso que acho que o Brasil está a caminho de ganhar sua sexta Copa do Mundo em 2006'', previu Gomes.


