Curitiba - Dia 28 de julho de 1996. Na decisão do Campeonato Paranaense, o meia Ricardinho, então com 20 anos, recém promovido ao time profissional do Paraná Clube, sai do banco de reservas, recebe a bola de Paulo Miranda, avança e na saída do goleiro do Coritiba, com calma extrema, toca indefensável. Era o gol do tetracampeonato estadual do Paraná Clube e a primeira grande glória pessoal de Ricardinho, que nos anos seguintes continuou trilhando uma trajetória recheada de títulos. No Brasil e fora dele.
  O pentacampeão mundial está de malas prontas para atuar no Catar, no Al Rayann. Antes de encarar um novo desafio em terras estrangeiras, Ricardinho matou saudades da família em Curitiba e ao rever amigos no Paraná Clube, ao lado dos dois filhos, de oito e três anos, não escondeu a emoção de lembrar do começo da consagradora carreira. ‘‘Foi aqui que tudo começou e já se passaram mais de 20 anos e fico feliz de entrar aqui com meus filhos, a gente fica tanto tempo fora e é sempre bom voltar para casa’’, disse emocionado o jogador, cercado por garotos do futsal do Tricolor.
  Enquanto tentava atender aos inúmeros pedidos de autógrafos da garotada, Ricardinho contava como tinha sido as duas últimas temporadas na Turquia. No Besiktas, terceiro maior time do país e rival do Fenerbahce e do Galatasaray, Ricardinho, como fizera nos clubes anteriores, se tornou o maestro da equipe. Na primeira temporada, o jogador ajudou a levar a equipe à Copa da Uefa, campeonato que o time não disputava há um bom tempo.
  Embora tendo que se adaptar à cultura muçulmana e ao idioma local, Ricardinho não decepcionou dentro de campo. ‘‘Não tive problemas de adaptação. Não falo turco, mas como o clube oferecia um intérprete para os jogadores estrangeiros, não tinha problema’’, disse o jogador que morava com a esposa e com os filhos em Istambul.
  A Turquia foi o terceiro país que o jogador passou. Antes, em 1997, Ricardinho passou pelo Bordeaux, da França, mas fora da posição, atuou apenas 18 vezes e marcou um gol. Após voltar ao Brasil e ser campeão brasileiro por Corinthians e Santos, entre outros títulos, Ricardinho conquistou fora do País sua maior façanha. Em 2002, foi campeão mundial com a seleção de Felipão. A consagração rendeu ao craque um contrato no inglês Middlesbrough, porém, sem ser aproveitado na Inglaterra, retornou ao Brasil, onde defendeu o Santos.
  Nessas idas e vindas, Ricardinho acumulou mais de 600 partidas. No novo desafio, agora em novo continente, o jogador espera novamente brilhar. ‘‘Espero fazer um bom trabalho lá. O futebol do Catar está investindo e já levaram o Roger (ex-Corinthians e Grêmio), eu e outros brasileiros e sem dúvida, espero trazer mais títulos’’, finalizou.

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