Dezoito anos se passaram desde que Ricardinho deixou o extinto Cocamar, de Maringá. Do Norte do Paraná, o então menino de 18 anos ganhou o mundo. Campeão olímpico em Atenas-2004 com a seleção brasileira, o levantador é considerado um revolucionário do novo estilo de jogo entre os atletas da sua posição e já tem seu nome cravado como um dos melhores levantadores da história do voleibol mundial.
Agora, aos 37 anos, o ex-capitão da seleção brasileira está de volta à cidade que lhe acolheu no início da carreira. E bem diferente da sua primeira passagem pelo voleibol do Paraná, a responsabilidade será muito maior. O jogador, que já viveu praticamente tudo no mundo esportivo, encara uma nova função: além de servir seus atacantes em quadra, Ricardinho agora também é o presidente do time e diz estar gostando da experiência.
"Começar do zero realmente não é fácil, mas estou gostando bastante. É uma experiência nova, um pouco estressante, mas tenho profissionais do meu lado que estão me ajudando bastante e tem sido maravilhoso", contou o jogador, em entrevista concedida à FOLHA pouco antes do início do treino da última sexta-feira.
A rotina de Ricardinho mudou bastante desde que ele assumiu a dupla função em Maringá. Quando o atleta deixa a quadra, entra em ação o dirigente. E nesta função ele acaba fazendo um pouco de tudo, desde providenciar a estrutura necessária para os outros jogadores a trabalhar na busca por mais patrocinadores para o projeto. "Depois do treinamento, sempre dou uma passada no escritório, resolvo o que tem que resolver, e vou descansar. De tarde é a mesma coisa, passo lá assino o que tem que assinar. É uma rotina bem diferente da que tive em minha vida toda praticamente", revelou.
A correria, no entanto, já tem data para acalmar um pouco: dia 7 de setembro, data da estreia do Moda Maringá na Superliga Masculina de Vôlei 2013/2014. "Quando começar o campeonato, estarei mais focado nos jogos, em descansar, mas enquanto isso vamos trabalhando dessa forma".
A vida de dirigente de Ricardinho começou antes mesmo do início dos treinos da nova equipe paranaense. Em meio à indefinição da continuidade do Vôlei Futuro, seu ex-time (que acabou mesmo fechando as portas mês passado, em Araçatuba-SP), o jogador foi o articulador central do projeto maringaense, que contou também com a ajuda do secretário estadual da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, Ricardo Barros, e da sogra, que trabalha com o político.
O ex-jogador da seleção brasileira, que sonhava ter sua própria equipe desde os tempos em que atuou na Itália, entre 2004 e 2010, usou seus contatos principalmente para formar o elenco que será comandado pelo técnico Douglas Chiarotti, campeão olímpico como atleta em 1992.
Apesar de estar se identificando com a nova função, o jogador ainda não sabe se vai continuar como dirigente depois que parar de jogar. "Na minha carreira, às vezes as coisas aconteceram ao contrário do que eu pensava. Então, sinceramente ainda não sei. O que pretendo realmente é ver essa equipe forte, para afrontar os grandes times, e que seja uma coisa longa, duradoura, que faça parte da cidade. E obviamente vou tentar sempre fazer parte desse projeto, porque foi onde tudo começou a acontecer comigo", encerrou o levantador, que tem contrato de três anos com o Moda Maringá.

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