Rio - Ricardinho exibia ontem um vasto sorriso. Natural para quem recebia o perdão depois de cinco anos de rompimento. Desde seu afastamento em 2007, tentou-se a reaproximação algumas vezes. Agora, os ponteiros entre o levantador, o técnico Bernardinho e os demais jogadores foram finalmente acertado. Assim, desde a última terça-feira, ele voltou à rotina de treinos com a seleção brasileira masculina da vôlei, em Saquarema (RJ).
Em preparação para a estreia na Liga Mundial, no dia 18 de maio, contra a Polônia, o levantador revive aquela sensação de novato, mesmo aos 36 anos, mas trazendo muita bagagem e experiência. ''O sentimento é de como se fosse a primeira vez, mas sem aquele nervosismo e ansiedade'', comentou Ricardinho, que teve grave atrito com Bernardinho e o grupo antes do Pan do Rio, em 2007, o que provocou seu afastamento da seleção por tanto tempo.
Até hoje, a verdadeira causa do afastamento do jogador é mantida em segredo. À época, se falou em briga por divisão de premiação, mas não se sabe ao certo as razões da crise e ninguém está disposto a realimentar a fogueira. Certo é que Ricardinho sempre foi tido como um homem vaidoso de suas habilidades e de personalidade forte.
''Minha preocupação maior era como eu seria recebido pelos companheiros. Mas o clima está bom'', disse Ricardinho, destacando que retorna ao grupo com humildade para dar o melhor de si e ajudar na conquista de mais um ouro olímpico. ''O Bernardo ainda não conversou comigo sobre Olimpíada. Mas meu objetivo é ajudar o grupo, dar o meu melhor e contribuir para a conquista da Liga Mundial'', contou o levantador.
Ainda que diga que as marcas do racha já se apagaram, o fato é que Ricardinho vai ter de reconquistar seu espaço na seleção a cada dia, a cada treinamento, a cada jogo. A ferida aberta teve cinco anos para cicatrizar, mas ainda é bastante visível no ''corpo'' da seleção. ''Quem sou eu para dar uma condenação perpétua a alguém'', ponderou Bernardinho. ''De tudo o que ele disse, só não concordo que não há mais cicatriz. Ela está fechada, mas está lá, até para servir como aprendizado, como ensinamento'', ressaltou o técnico. ''Mas o que não te mata te fortalece. Não morremos e estamos mais fortes.''

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