Rexona disputa terceiro título em três anos de existência
São Paulo, 31 (AE) - O Rexona garantiu em apenas três partidas a classificação para o playoff final da Superliga Feminina de Vôlei. O time paraense eliminou o Blue Life/Pinheiros e agora se prepara para decidir pela terceira vez em apenas três anos de existência o título da competição. Qual o segredo desta equipe, campeã de 1997/1998 e vice-campeã de 1998/1999? O técnico Bernardo Rezende, o Bernardinho, não encontra uma resposta simples para a pergunta.
"Vai desde o trabalho, a dedicação e a paixão dos integrantes da comissão técnica até o talento e o esforço das jogadoras, passando pela estrutura do clube", observa o treinador da seleção brasileira, um economista de formação, um administrador de egos e um colecionador de títulos por vocação. "Somos resultado do envolvimento de um grupo de pessoas que trabalham para o desenvolvimento do vôlei."
A estrutura do time é apontada por Bernardinho como um dos pilares mais importantes do sucesso obtido em apenas três anos de história. Os setores administrativo, logístico e prático suprem o time das condições necessárias para a realização de um bom trabalho e, acima de tudo, de chegar a resultados de excelência. A estrutura dá oportunidade à comissão técnica - leia-se Bernardinho - de arriscar nas contratações de jogadoras. "Apostamos em atletas jovens e evitamos entrar em leilões, como ocorre muitas vezes no esporte", comenta o treinador.
"Optamos pela formação e, sobretudo, por trabalhar o talento." Bernardinho reconhece, porém, que teve seu objetivo facilitado pela contratação na formação da equipe da levantadora Fernanda Venturini, figura central dentro do time. "Para investirmos na meninada, precisávamos da segurança da Fernanda"
diz, referindo-se à sua mulher.
"Só assim pudemos contar com atletas quase desconhecidas no primeiro ano como Érika, Valeska e Raquel." Insônia - Se seu trabalho deu certo com as atletas que querem mostrar serviço pela juventude, Bernardinho admite perder noites de sono com a possibilidade de não conseguir contratar jogadoras mais experientes. "O nosso nível de exigência é elevado demais", afirma. "Elas já suportam seis meses de treinamento na seleção e talvez na aguentem outros seis meses no clube", prossegue. "Talvez puxe a corda demais."
O treinador vive o tempo todo em clima de cobrança e na beira do estresse. Ele diz que tem aprendido a lidar com a situação. "Acho que sou movido a desafios e ainda me sinto extremamente estimulado para trabalhar", lembra Bernardinho, que depois da decisão da Superliga terá pela frente a preparação da seleção brasileira para a Olimpíada de Sydney. Medalha de bronze em Atlanta, em 1996, a seleção tentará obter um lugar mais alto no pódio. O estresse, com certeza, continuará movendo Bernardinho.Por João Pedro Nunes -------------------------------------------- PARA A EDIÇÃO DE DOMINGO --------------------------------------------





