Revolução chinesa
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de julho de 2016
Paulo Monteiro<br>Grupo Folha 

Da lanterna para a vice-liderança. Essa é a evolução desde que a londrinense Giovanna Crivelari chegou ao clube Zhejiang Hangzhou. A meia atacante se mudou para a China há seis meses, contratada para enriquecer e acelerar o desenvolvimento do futebol local. Titular absoluta desde a estreia, a moça de 23 anos é uma das principais atletas da equipe. Tímida na hora de arriscar o mandarim (idioma), Giovanna se garante mesmo e dá show com a bola nos pés. Por um ano perfeito, ela espera fechar 2016 com a taça de campeã da Liga Chinesa e cravar seu nome na história futebolística do país mais populoso do mundo.
Loira e bonita, a jogadora nunca foi ignorada pela torcida. Mas foi pelo talento que os chineses deixaram a frieza de lado para gritar o nome da atleta. "O chinês é meio na dele, frio, porém gosta muito da gente e acolhe bem o brasileiro. Não é aquele torcedor que tieta os atletas, mas de vez em quando eu percebo um ou outro tirando foto minha escondido no mercado e na rua", comenta ela, explicando que o esporte se popularizou muito no país. "A nossa torcida enche o mini estádio do clube em todos os jogos. Os torcedores gostam muito de futebol."
Salto alto
E não é para menos, a equipe deu um salto na tabela da competição desde a chegada de Giovanna ao clube. "O país é talvez hoje o que mais investe no esporte e com o futebol feminino não é diferente. Comigo também atuam outras brasileiras. Tem dado tudo certo desde que chegamos ao clube, que estava na penúltima posição no início e hoje ocupa a vice-liderança da Liga. Vale ressaltar que as atletas chinesas são disciplinadas, prestam atenção em nosso jogo e têm colaborado demais", revela a meia atacante.
Apesar da pouco idade, no Brasil a londrinense também foi destaque no Santos, Fox Cataratas, São Caetano, XV de Piracicaba e São Paulo, onde foi artilheira da equipe e vice-campeã paulista em 2015. Mesmo depois de atuar por grandes clubes da elite brasileira, ela afirma que a opção pela segunda divisão chinesa valeu a pena. "A estrutura dedicada ao futebol feminino lá é a mesma do masculino. Muito boa. Nosso clube, por exemplo, é enorme, tem 400 funcionários e inúmeras equipes de base. A China continua abrindo as portas para os estrangeiros, que ajudam a desenvolver o esporte no país. Nossa comissão técnica é formada apenas por japoneses, que possuem maior experiência no futebol asiático", detalha Giovanna, que passou alguns dias de férias em Londrina. A jovem retornou para a China na última quarta. (Paulo Monteiro/NOSSODIA)


