Revoltados, são-paulinos tentam agredir dirigente
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sábado, 14 de agosto de 1999
Por Émerson Couto 
São Paulo, 15 (AE) - O presidente do São Paulo, José Augusto Bastos Neto, passou por maus momentos, hoje à tarde, no Canindé. Depois da derrota por 2 a 1 para a Portuguesa, o dirigente teve bastante dificuldade para deixar o setor das cadeiras numeradas, de onde assistiu ao jogo. Entre pedidos de impechment e todo tipo de insulto, alguns torcedores ainda queriam agredir o dirigente. Bastos Neto foi embora escondido e entrou em um ônibus da diretoria, com o apoio de seguranças e policiais militares.
Não deu explicações a ninguém.
Entre os cartolas, apenas o coordenador de Futebol, Rubens Minelli, ficou para dar declarações. "É lamentável que isso aconteça, mas a cultura futebolística no Brasil não respeita as pessoas", afirmou.
Minelli disse ter entendido a revolta dos torcedores, mas não concordou com a forma violenta da manifestação. "Eles querem as vitórias e ainda têm as frustações do dia-a-dia", emendou.
Bastos Neto, no entanto, não esteve só nas críticas. O técnico Paulo César Carpegiani foi chamado de "burro" por várias vezes
principalmente depois que a equipe sofreu o segundo gol, aos 35 minutos do segundo tempo. Pouco antes, o treinador havia colocado o zagueiro Nem no lugar de ¶nderson. Nem foi cobrado pela torcida, superado apenas por Edmílson, expulso no fim do jogo. "Fora, Edmílson", gritaram os torcedores, desde a primeira etapa.
No vestiário, Carpegiani procurou transparecer calma. "O momento exige tranquilidade", justificou. "A Portuguesa fez uma partida melhor, mereceu ganhar e considero o resultado normal." Carpegiani também não quis julgar o desempenho de Nem e Edmílson. "Não adianta, agora, sair queimando os jogadores", disse. O treinador ainda lembrou que enfrentou problema semelhante com Dodô, também marcado pela torcida.
Os jogadores estavam, de certa forma, conformados com a derrota. "A Portuguesa conseguiu fazer os gols e nós não fomos bem nas finalizações", disse o atacante Sandro Hiroshi. "Criamos poucas chances de gol para um time que tem um ataque considerado bom", analisou França, no intervalo do jogo. No segundo tempo, o atacante marcou um belo gol, o de empate, mas não foi suficiente. Antes do clássico, a média de gols do São Paulo no Campeonato Brasileiro era superior a quatro gols por jogo.
O próximo jogo do São Paulo é quarta-feira, contra o Cruzeiro, em Belo Horizonte. Edmílson e Carlos Miguel, expulsos, não jogam. O ônibus são-paulino, ao deixar o Canindé, foi cercado por torcedores. Sobraram alguns chutes na lataria.


