Revoltados, são-paulinos pedem para o time não entrar em campo
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terça-feira, 02 de novembro de 1999
Por Cosme Rímoli 
São Paulo, 03 (AE) - O reflexo do julgamento na CBF foi imediato no Morumbi. Milhares de torcedores do São Paulo que estavam na fila para torcer pelo clube, esta noite contra a Ponte Preta, foram embora assim que souberam da perda dos pontos da partida contra o Botafogo. A revolta foi enorme dos que ficaram. Cerca de 500 torcedores cercaram o ônibus que trazia os jogadores e em coro imploravam para que não entrassem em campo contra a Ponte Preta como forma de protesto. "Não tem que jogar, não tem que jogar, não tem que jogar...", repetiam, revoltados.
O treinador Paulo César Carpegiani que havia prometido abandonar o clube se o São Paulo perdesse o julgamento avisava que só falaria com os jornalistas na sexta-feira. Após a partida ele faria uma importante reunião com a diretoria do São Paulo. E poderia entregar o cargo. Não havia como disfarçar a perturbação que o julgamento trouxe no time uma hora e vinte antes da partida contra a Ponte Preta começar. Eles souberam do resultado do julgamento graças a um radinho de pilha. O assessor de imprensa, Dirceu Cabral, estava acompanhando pelo rádio o processo e avisou o treinador Paulo César Carpegiani. Nem deu tempo para ele comunicar os atletas. "Nem precisou. Torcedores que estavam do lado do ônibus passaram a buzinar e avisavam que tínhamos perdido. Foi um bruta choque: saimos da concentração crentes que iríamos brigar pelo título e agora brigamos pela não cair. Nós ganhamos no campo por 6 a 1 e agora nos tomam os pontos. Isso não pode acontecer com um clube forte como o São Paulo", desabafava França.
Raí estava profundamente irritado. "Não estou nervoso, mas decepcionado. Não é possível que uma situação dessas aconteça uma hora antes de começar uma partida decisiva para nós. Vamos fazer o possível para que isso não nos afete. Mas não podíamos ter perdido esses pontos." Carlos Miguel fazia questão de dar entrevista protestando contra o tribunal da CBF. "Eu não sei que tipo de justiça acontece no Brasil. Todos sabiam que o São Paulo tinha vencido por 6 a 1 o Botafogo. Depois inventam uma desculpa e nos tiram os pontos. Como é não que não vamos estar afetados? Como manter a tranquilidade para um jogo tão difícil contra a Ponte Preta. Manter motivação sabendo que nos estão prejudicando nos tribunais é muito duro."
Carlinhos Neves explicava o que a Comissão Técnica decidiu fazer para animar o time. "Usamos como estratégia falar que tudo poderia ser revertido. Baixar a cabeça seria muito pior. Os jogadores acreditaram." O diretor de futebol, José Dias, estava completamente perdido. "Eu não sei direito o que aconteceu no Rio de Janeiro. Só sei que perdemos por sete votos a zero. Ninguém me ligou, não tenho condições de dizer o que faremos no futuro para brigar por nossa vaga na próxima etapa do Brasileiro. Justiça Comum? Pedir a paralisação dos outros clubes paulistas? Não sei. Tenho que esperar o nosso presidente chegar do Rio de Janeiro."
O treinador da Ponte Preta, Marco Aurélio, afirmava que o resultado do julgamento poderia atrapalhar o rival. "Não tem como não se deixar afetar. O que será melhor para nós. O golpe foi muito duro. E se eles quiserem se vingar do tribunal em cima da Ponte, pode ser melhor ainda. O São Paulo não vai entrar em campo normal."
Do Rio de Janeiro, a palavra oficial do presidente José Augusto Bastos chegava à diretoria. "Nós não vamos entrar na Justiça Comum para paralisar o Campeonato. A Fifa iria nos punir mais ainda. Vamos ter de acatar a decisão do tribunal", afirmava, amargurado, Bastos.


