Na segunda-feira (5), o Conselho Técnico do Campeonato Brasileiro de 2018 se reuniu na CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e aprovou duas mudanças importantes no regulamento da competição: a liberação do uso de grama sintética, como a da Arena da Baixada, estádio do Atlético, e da venda de mandos de jogos para fora do Estado de origem do clube que negociar a partida, com exceção de confrontos agendados para as últimas cinco rodadas. A que regulamenta a venda de mando de campo atinge diretamente Londrina.

Em 2016, houve uma polêmica envolvendo este tipo de transação quando o América-MG resolveu disputar no estádio do Café a partida em que tinha a prerrogativa de mandante contra o Palmeiras. À época, o estádio recebeu mais de 20 mil palmeirenses e a decisão do clube mineiro acabou por prejudicar o próprio Coelho, porque a cidade notoriamente possui muitos torcedores de clubes paulistas - na prática, houve a inversão do mando de campo. O Palmeiras venceu a partida por 2 a 0 e pouco tempo depois se tornou campeão. Ao mesmo tempo, o América-MG viu suas chances de permanecer na Série A reduzidas após aquele jogo. A venda de mandos acabou vetada pelo restante do campeonato.

Em 2017, a CBF chegou a apresentar a ideia de liberar a venda de mandos de campo para outros Estados, exceto nas últimas cinco rodadas, mas o Atlético-MG sugeriu que o veto perdurasse a competição inteira, contrariando Flamengo e Fluminense, que enfrentavam dificuldades de utilizar o Maracanã e manifestavam o desejo de atuar em estádios como o Mané Garrincha, em Brasília (DF). No caso dos dois times cariocas, a alegação era de que a venda de mando de campo era benéfica, desde que não houvesse uma inversão de torcidas, como a que ocorreu em Londrina na partida entre América-MG e Palmeiras.

Um dos interessados nessa liberação é o ex-jogador Roni, proprietário de uma agência de consultoria esportiva fundada em 2012 que leva seu nome e que foi responsável pela aquisição de mandos de jogos de duas partidas pela Copa do Brasil deste ano: Madureira-RJ x São Paulo, realizada em Londrina, e Boavista-RJ x Internacional, em Cascavel.

Nos dois jogos, o público não correspondeu às expectativas do ex-jogador e houve prejuízo. Em Londrina, foram 4.455 pagantes, resultando em uma renda de R$ 142.480. O jogo realizado em Cascavel teve um público de 5.045 pagantes e uma renda bruta de R$ 149.470. Descontando as despesas relacionadas à organização, o resultado foi decepcionante para o empresário, que admitiu que teve prejuízos, mas não quis quantificar esse montante para a reportagem.

"A decisão do conselho de autorizar a venda de mandos de campo é um ganho para todos os torcedores do Brasil. Há Estados que não possuem time na Série A e, com isso, vão poder acompanhar o seu clube do coração. Achei uma decisão democrática. Isso sempre existiu e nunca houve problema algum em todos os campeonatos", apontou Roni.

Questionado se a decisão afetava a disputa, já que em alguns casos poderia prejudicar outros times que dependem do resultado da partida, ele minimizou o problema. "Acho muito relativo. Independente de ser em casa ou fora, o clube que for melhor vai ganhar. Não vai fazer a diferença para quem vai ser campeão. Como ex-jogador, para mim sempre foi mais gostoso jogar com estádio cheio, independente da torcida que estiver no estádio. Nunca influenciou em nada para mim ter torcida adversária", argumentou.

Ele afirmou que nem sempre é o time pequeno que vende o mando em busca de renda. "Times como o Flamengo, Vasco e Fluminense também vendem para alavancar o seu programa sócio-torcedor em outro Estado ou para prestigiar torcedores de outras regiões", afirmou.

O técnico Ricardinho, do Londrina, avaliou que cada equipe precisa decidir o que é mais interessante sobre a questão da venda de mando. "Eu penso no torcedor que aderiu ao programa sócio-torcedor. Ao tirar a partida de sua casa, acaba atrapalhando esse sócio. Em relação aos adversários, as equipes podem se sentir beneficiadas sob o ponto de vista técnico. Não que modifique uma coisa se Palmeiras, Flamengo ou Corinthians jogarem na sua casa, diante de suas torcidas, mas outra coisa é se essas equipes jogarem em Manaus ou Brasília. É diferente, mas alguns clubes podem ter rentabilidade maior", apontou.

Segundo o treinador, como a venda de mandos foi autorizada por meio de votação dos clubes, "não pode ter reclamação, porque já foi acordado antes". "O mais importante é analisar se o clube deve optar pelo lado financeiro ou pelo lado técnico", resumiu.

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