Vicente Lenílson, Édson Ribeiro, André Domingos e Claudinei Quirino de Souza. Teoricamente o Brasil tem tudo para buscar uma medalha no revezamento 4 x 100, no atletismo. A equipe é formada por dois medalhistas olímpicos (Édson e André foram bronze no 4 x 100 em Atlanta, ao lado de Róbson Caetano e Arnaldo Oliveira), um medalhista pan-americano (Claudinei ganhou quatro medalhas em Winnipeg, Canadá, ano passado) e um campeão ibero-americano (Vicente foi ouro, na prova disputada este ano, no Rio de Janeiro).
Mas parece que nem tudo está dando certo para o quarteto olímpico. A falta de entrosamento, união e espírito estão incomodando alguns atletas. ‘‘Falta acertar os ponteiros. Precisamos nos unir como estávamos quando saímos do Brasil e chegamos aqui. Não podemos ficar levando problemas pessoais para a pista. Se não estivermos unidos, o Brasil não vai a lugar nenhum’’, desabafa André Domingos. ‘‘Espero que esses problemas sejam resolvidos o mais rápido possível, para que a gente possa chegar no dia 29 e fazer uma boa prova’’, comenta, sem querer citar o autor das desavenças. ‘‘Seria falta de ética citar nomes’’, ele justifica.
Claudinei Quirino também reclamou e disse que a nota para a equipe, hoje, seria 3,5 – mesmo tendo vencido o meeting realizado na quinta-feira, na pista de aquecimento do Estádio Austrália. ‘‘Precisamos encontrar um ponto de equilíbrio’’, diz Quirino, que também é um dos favoritos à medalha de ouro na prova dos 200 metros rasos devido à ausência do norte-americano Michael Johnson, contundido.
Segundo o paranaense Édson Ribeiro, o que está acontecendo é um desgaste natural. ‘‘Estamos juntos há muito tempo. Passamos dez dias na Europa e agora aqui. Já estamos com aquela vontade de ficar sozinho, mais à vontade. Treinamos todos os dias, o treino é cansativo e não é todo dia que levantamos de bom humor. No final acaba um estourando com o outro, mas é coisa de equipe. Acontece’’, afirma ele. ‘‘Na hora de entrar na pista, temos que esquecer os problemas pessoais. Não importa se um gosta do outro ou não. O negócio é correr e passar o bastão. Cada um tem que fazer a sua parte. Estamos lutando pelo mesmo objetivo.’’
Apesar dos problemas, André analisa tudo pelo lado positivo. ‘‘Para crescer e ser um grande homem, precisamos superar esses obstáculos e encarar os desafios que vem pela frente.’’
Bom tempo – Mesmo com todos os problemas de relacionamento, a equipe de revezamento 4 x 100 metros conseguiu um resultado surpreendente no chamado meeting de aquecimento, que aconteceu na pista de treinamento do Estádio Austrália, em Sydney. A equipe obteve uma marca que colocaria o País na final olímpica.
Com o tempo de 38s45, os brasileiros chegaram bem próximo ao índice com o qual o País conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 96. ‘‘O tempo foi muito bom. Com ele, estaríamos na final em Sydney e na decisão tudo pode acontecer’’, comentou o técnico Jayme Netto Jr.
O que está causando tumulto na equipe brasileira foi a inversão na ordem da corrida para o meeting. E esta deverá ser a formação oficial utilizada durante a eliminatória, marcada para o dia 29: Vicente Lenílson, Édson Luciano Ribeiro, André Domingos e Claudinei Quirino. André vem fechando a prova e não quer saber de perder a posição para Claudinei.
Há quatro anos, o time fechava com André, inclusive quando conquistou o bronze, com a marca de 38s42, nos Jogos de Atlanta. A melhor marca brasileira é 38s06.

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