Revezamento inicia a luta por medalha
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quarta-feira, 27 de setembro de 2000
Janaina Tupan Frare Enviada da Folha a Sydney 
O revezamento 4 x 100 metros do atletismo brasileiro começa hoje a brigar por um lugar no pódio dos Jogos Olímpicos de Sydney. A primeira eliminatória acontece às 20 horas (horário de Brasília), na pista do Estádio Olímpico. Teoricamente a equipe brasileira, formada por Vicente Lenílson, André Domingos, Claudinei Quirino e pelo paranaense Édson Luciano Ribeiro, tem tudo para buscar uma medalha. Da equipe atual, dois já foram medalhistas olímpicos Édson e André conquistaram o bronze no 4 x 100, ao lado de Róbson Caetano e Arnaldo Oliveira, na Olimpíada de Atlanta (96).
Claudinei Quirino ganhou quatro medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg no ano passado e Vicente Lenílson ficou com o ouro do Campeonato Ibero-Americano, realizado no Rio de Janeiro.
Com grandes chances de subir ao pódio pela segunda vez, o paranaense Édson Luciano Ribeiro sente o peso da responsabilidade. Sendo a segunda Olimpíada já dá uma certa tranquilidade, mas a responsabilidade vem junto. Tem que correr bem, porque já é medalhista. Isso pesa. A gente tenta fugir da pressão mas é difícil. Sempre tem e sempre vai ter. Em 96, o Brasil chegou atrás apenas de Canadá e Estados Unidos.
Para Sydney, o técnico Jayme Netto Jr. mudou a ordem de participação dos atletas na prova. Claudinei, que desde 95 era o segundo a pegar o bastão, vai fechar a prova no lugar de André. Resolvi mudar para aproveitar melhor as qualidades de cada um, alega o treinador. Não satisfeito em trocar apenas a posição de Claudinei e André, Jayme trocou também a posição do paranaense, que desde o início deste ano vinha correndo como o segundo, no lugar de Claudinei. Passei o Édson para terceiro e o André para segundo. Pelo fato do Édson ter uma estrutura física muito grande, ele consegue mais velocidade nas retas. Na curva ele era prejudicado pela força gravitacional, ao contrário do André, que, por ser mais esguio, acaba se saindo melhor nas curvas.
Com as alterações de posições, os brasileiros tiveram que treinar muito a movimentação dos braços. Treinei muito a mão esquerda do André e a direita do Édson, que antes ocupavam posições inversas, disse Netto, explicando que todos os brasileiros são destros e os que correm nas curvas têm que passar o bastão com a mão esquerda.
Segundo o treinador, o objetivo é terminar a eliminatória com o tempo entre 38s30 e 38s40 para ir à final. Até hoje, o melhor resultado do Brasil foi 38s05, obtido no Mundial de Sevilha, em agosto de 99. No mesmo mês, com o tempo de 38s27, os brasileiros venceram no Pan.
No ranking geral da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), o Brasil aparece com o segundo melhor tempo no revezamento 4 x 100 metros 38s24, perdendo apenas para os norte-americanos, que lideram com 37s65. O recorde mundial, que pode ser quebrado na prova de hoje, também pertence aos americanos. Em Barcelona (92) eles fizeram 37s40.
Confusão A troca de posições de Claudinei e André, acabou gerando um atrito na equipe. Precisamos nos unir como estávamos quando saímos do Brasil e chegamos aqui. Não podemos ficar levando problemas pessoais para a pista. Se não estivermos unidos, o Brasil não vai a lugar nenhum, desabafou André Domingos, em relação a Claudinei.
Para Édson Luciano, o que está acontecendo é um desgaste natural por estarem juntos há muito tempo, mas garante: Na hora de entrar na pista, todos nós temos que esquecer de tudo. Não importa se um gosta do outro ou não. Cada um tem que fazer a sua parte. Estamos lutando pelo mesmo objetivo.


