Os mais desavisados podem até nem perceber, mas quem conhece bem os encantos do futebol de salão não deixará de notar que os passes certeiros, os dribles curtos e a habilidade da dupla Alex e Ricardinho são típicos de quem praticou o esporte da bola pesada quando criança. E não é por menos. Os meias – encarregados da criação de jogadas ofensivas no meio-de-campo brasileiro hoje contra o Chile, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002 – já criaram muitos lances incríveis, juntos, nas quadras de futebol de salão do Paraná, de 89 a 92, quando defendiam a Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), em Curitiba.
Naquela época, guardadas as devidas proporções, Alex e Ricardinho já eram estrelas. Quem trabalhou com os dois não hesita em afirmar que, quando a bola chegava nos pés da dupla, algo de bom sempre acontecia. ‘‘Eram acima da média e conseguiam se sobressair aos demais por causa da grande habilidade’’, relembra Carlos Roberto Socha, vice-presidente de Esportes da AABB, que na época era diretor de Futebol de Salão.
Segundo ele, Alex foi quem teve maior tempo de AABB. O meia-esquerda da Seleção Brasileira começou a treinar no salão aos oito anos, em 85. O craque que hoje está consagrado no futebol mundial e já acumulou fortuna foi protagonista de uma situação no mínimo curiosa. ‘‘Ele fez o primeiro treino de sapato porque não tinha tênis’’, conta Socha, que, segundo a mãe de Alex, dona Lenir, foi um dos grandes responsáveis – no apoio que deu – pelo fato do menino pobre virar um ídolo nacional.
Mas não precisou de muito tempo para provar que tinha qualidade. Aos 9 anos, ainda como idade para a categoria pré-mirim, Alex já jogava na mirim, junto com meninos de 11 e 12 anos. Na maioria dos torneios metropolitanos e estaduais, Alex era o artilheiro. Com 11 anos, ele começou a conciliar o futebol de salão com o futebol de campo, treinando no Coritiba. Foi assim até os 17 anos, quando deixou de vez o salão para seguir a carreira no Coxa.
Ricardinho começou no futsal em 83 no antigo Pinheiros. Chegou à AABB em 1987, com 13 anos. Jogou até os 16 anos, quando resolveu seguir a carreira no futebol de campo do Paraná Clube. Os dois jogaram juntos no infantil e no infanto juvenil. ‘‘Antes, com o Alex da AABB e o Ricardinho no Paraná Clube, era sempre uma rivalidade e os dois times sempre eram os melhores. Quando se juntaram na AABB, aí não teve para mais ninguém. A AABB ganhou praticamente todos os títulos metropolitanos e estaduais’’, conta Socha, afirmando que Lúcio Flávio, atual meia do Paraná Clube, também jogava junto.
Para Volmar Marques, que era o treinador de Alex no pré-mirim, grande parte da habilidade dele e de Ricardinho também se deve ao futebol de salão. ‘‘É um jogo em que os atletas pegam mais na bola, têm menos espaço e precisam de rapidez. Quando o jogador vai para o campo com essa base ele se sobressai’’, diz Marques.
Além disso, a formação social que o atleta tem no salão também é destacada por Socha. ‘‘Os meninos são tratados como seres humanos, diferentes do futebol de campo, onde em algunns casos são vistos como um produto que pode render dinheiro’’, afirma.

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