Revelações paranaenses dão ritmo à Seleção
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segunda-feira, 14 de agosto de 2000
Ed Carlos Rocha De Curitiba 
Os mais desavisados podem até nem perceber, mas quem conhece bem os encantos do futebol de salão não deixará de notar que os passes certeiros, os dribles curtos e a habilidade da dupla Alex e Ricardinho são típicos de quem praticou o esporte da bola pesada quando criança. E não é por menos. Os meias encarregados da criação de jogadas ofensivas no meio-de-campo brasileiro hoje contra o Chile, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002 já criaram muitos lances incríveis, juntos, nas quadras de futebol de salão do Paraná, de 89 a 92, quando defendiam a Associação Atlética Banco do Brasil (AABB), em Curitiba.
Naquela época, guardadas as devidas proporções, Alex e Ricardinho já eram estrelas. Quem trabalhou com os dois não hesita em afirmar que, quando a bola chegava nos pés da dupla, algo de bom sempre acontecia. Eram acima da média e conseguiam se sobressair aos demais por causa da grande habilidade, relembra Carlos Roberto Socha, vice-presidente de Esportes da AABB, que na época era diretor de Futebol de Salão.
Segundo ele, Alex foi quem teve maior tempo de AABB. O meia-esquerda da Seleção Brasileira começou a treinar no salão aos oito anos, em 85. O craque que hoje está consagrado no futebol mundial e já acumulou fortuna foi protagonista de uma situação no mínimo curiosa. Ele fez o primeiro treino de sapato porque não tinha tênis, conta Socha, que, segundo a mãe de Alex, dona Lenir, foi um dos grandes responsáveis no apoio que deu pelo fato do menino pobre virar um ídolo nacional.
Mas não precisou de muito tempo para provar que tinha qualidade. Aos 9 anos, ainda como idade para a categoria pré-mirim, Alex já jogava na mirim, junto com meninos de 11 e 12 anos. Na maioria dos torneios metropolitanos e estaduais, Alex era o artilheiro. Com 11 anos, ele começou a conciliar o futebol de salão com o futebol de campo, treinando no Coritiba. Foi assim até os 17 anos, quando deixou de vez o salão para seguir a carreira no Coxa.
Ricardinho começou no futsal em 83 no antigo Pinheiros. Chegou à AABB em 1987, com 13 anos. Jogou até os 16 anos, quando resolveu seguir a carreira no futebol de campo do Paraná Clube. Os dois jogaram juntos no infantil e no infanto juvenil. Antes, com o Alex da AABB e o Ricardinho no Paraná Clube, era sempre uma rivalidade e os dois times sempre eram os melhores. Quando se juntaram na AABB, aí não teve para mais ninguém. A AABB ganhou praticamente todos os títulos metropolitanos e estaduais, conta Socha, afirmando que Lúcio Flávio, atual meia do Paraná Clube, também jogava junto.
Para Volmar Marques, que era o treinador de Alex no pré-mirim, grande parte da habilidade dele e de Ricardinho também se deve ao futebol de salão. É um jogo em que os atletas pegam mais na bola, têm menos espaço e precisam de rapidez. Quando o jogador vai para o campo com essa base ele se sobressai, diz Marques.
Além disso, a formação social que o atleta tem no salão também é destacada por Socha. Os meninos são tratados como seres humanos, diferentes do futebol de campo, onde em algunns casos são vistos como um produto que pode render dinheiro, afirma.


