Revelação empolga técnico do Paraná
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 1999
Marcos Freitas 
A curitibana Isabelli Nicolau recebeu um superpresente no último dia 10 de dezembro, quando completou 18 anos: foi convidada a integrar o elenco que detém o título de campeão brasileiro de basquete feminino e que, agora, defende o Paraná Basquete Clube, time que disputa - e lidera - o Campeonato Nacional de Basquete Feminino, iniciado na última segunda-feira. Um dia inesquecível, talvez o mais importante da minha vida, conta ela. A Isabelli vai ser uma das melhores jogadoras do Brasil, aposta o técnico do Paraná, Antônio Carlos Vendramini.
Isabelli Nicolau começou jogando basquete ainda quando criança - despertada pela irmã mais velha, que jogava handebol. Mas Isabelli teve mais intimidade mesmo foi com a bola de basquete, com a qual convive diariamente há dez anos. Não era muito boa no handebol, confessa ela, considerada a grande revelação do basquete paranaense. O basquete me acolheu melhor, diz. Nos últimos seis anos, ela disputou - e venceu - vários campeonatos metropolitanos e estaduais. Começou jogando no Colégio Positivo de Curitiba e, depois, integrou uma das equipes mais vencedoras do Estado, o Dom Bosco/Curitibano.
Foi num desses campeonatos que ela chamou a atenção do experiente técnico Vendramini. Encantado com essa lateral inteligente, no dia seguinte à partida Vendramini procurou saber mais sobre a garota. Convidou-a para alguns testes e desde então nunca mais largou a menina. Ousada, determinada e com ótimos fundamentos - assim o técnico define a jogadora. Tem passes perfeitos e dribles desconcertantes, além de saber encestar como ninguém, diz o empolgado Vendramini.
Fora das quadras, Isabelli é tímida e de poucas amizades. Diz que está adorando o grupo de jogadoras. Elas me receberam superbem, parece que nos conhecemos há muitos anos, conta. Isabelli confessa que às vezes pensa que está no meio de um sonho quando se vê passando bolas para Marta, marcando Silvinha e recebendo o apoio e orientações de Vendramini e da rainha Hortência, diretora da equipe. Sempre vi estas jogadoras atuarem pelos clubes e pela seleção brasileira. E hoje estou junto delas, é difícil acreditar.
Sem se importar com salários ou prêmios que possa vir a ganhar, Isabelli só pensa e treinar bem para jogar melhor. Vou ter tempo para pensar nisso depois; agora tenho mesmo é que trabalhar, diz. Mas se o dinheiro aparecer vai, ser muito bem-vindo.
Sobre a rotina dos treinamentos, ela diz que é cansativo, mas vale a pena quando se faz o que gosta. Amo o basquete e espero viver a minha vida inteira em função deste esporte, diz, prevendo passar no vestibular de Educação Física no final do ano.
Isabelli - uma loira de 1,79 metro, dona de traços que misturam bem o fim da adolescência com um jeito meigo e simples - se transforma, em quadra, numa jogadora agressiva e de muita personalidade. Arremessadora de mão cheia, seus aproveitamentos - tanto nos treinos táticos quanto nos técnicos - vêm empolgando colegas de quadra e comissão técnica.
As atuações em treinos e jogos amistosos fazem o técnico Vendramini declarar verdadeira veneração pela jogadora. Garanto que será uma das jogadoras-revelação desta Liga Nacional, não só pela idade mas principalmente pela qualidade técnica que Isabelli vai apresentar durante as partidas. Sobre os elogios do técnico, envergonhada, ela resume: Ele é muito gente boa mesmo, me incentiva sempre.


