Curitiba - A tenista Teliana Pereira, 17 anos, inicia amanhã uma turnê de jogos na Europa, resultado da excelente campanha feita nos últimos torneios disputados. Só neste ano, a garota já participou de sete campeonatos na América do Sul e venceu três Colômbia, Peru e Paraguai. Ela ocupa a 15 posição no ranking da ITF (Federação Internacional de Tênis), além de liderar o sul-americano e brasileiro de sua categoria. Atributos suficientes para torná-la integrante da seleção brasileira de tênis feminino juvenil.
A equipe, considerada a melhor safra da categoria que o País já teve, é formada por mais três atletas: Fernanda Hermenegildo (SC), 17, Roxane Vaisemberg (SP) e Ana Clara Duarte (RJ), ambas de 16 anos. As primeiras competições que disputarão serão o Torneio Juvenil do Circuito Mundial, na cidade de Beaulieu-sur-mer (França), e o Interclubes, em Paris.
De acordo com o técnico da seleção, o francês Didier Rayon, as brasileiras vão permanecer na Europa cerca de 70 dias, onde participarão de vários torneios na Suíça, França (Roland Garros), Bélgica e Inglaterra (Wimbledon). ''Nossa turnê começa no dia 25 de abril e só termina no começo de julho. As atletas representam bem o Brasil e temos boas chances de conquistar títulos'', disse Rayon, que também é técnico de Teliana e dono da Academia Paranaense de Tênis, onde ela treina.
Dificuldades Natural de Santana do Ipanema, em Alagoas, Teliana viveu uma infância de dificuldades em Pernambuco, numa cidadezinha na divisa dos dois estados chamada Barra de Tapera, onde seu pai trabalhava no corte de cana. De lá, só ficou na lembrança os banhos nos açudes, da mãe lavando roupa no rio e de comer manga.
A menina veio para Curitiba, em 1995, e mora desde então no bairro de São Brás, onde fica a academia que lhe permitiu começar sua história no esporte. ''Nunca imaginei me tornar atleta. Na verdade, eu nem sabia o que era tênis. Como meu pai trabalhava na academia, eu e meu irmão o também tenista Renato Pereira trabalhávamos como boleiros'', contou Teliana, antes de embarcar para a França, na última quinta-feira.
Ela tinha nove anos quando o técnico Didier Rayon apostou no seu futuro como tenista. ''Digo para todo mundo que ele é meu segundo pai. Não só pelo tênis, mas pela ajuda que sempre deu a minha família e pelo esforço que faz para conseguir patrocínio para mim'', explica ela, que treina cerca de seis horas, por dia, e recebe recursos da Lei Municipal de Incentivo ao Esporte, da Prefeitura de Curitiba, e também do Instituto de Tênis de Florianópolis e da Little Dream Foundation Kids (Suíça), ONG do músico inglês Phil Collins.

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