Teresópolis - O atacante Adriano costuma ser reverenciado pelos colegas de seleção e parece sempre bem humorado no convívio com o grupo. Tanto que foi um dos mais descontraídos nos três dias de treinos na Granja Comary. Ontem, em sua primeira entrevista desde a apresentação em Teresópolis (RJ), o jogador do Flamengo teve de falar sobre um tema delicado: se seu comportamento no clube poderia ter peso em futuras convocações.
Ele chegou a interromper o repórter quando um trecho da pergunta tratava das várias vezes em que faltou ou chegou atrasado aos treinos do Flamengo. ''Várias não. Foram três (vezes). Viu como vocês são? Já estou acostumado com isso'', disse Adriano. Em seguida, o atacante admitiu que sua volta à seleção, após cinco meses de ausência, deveu-se em parte à mudança de comportamento. ''Já faz um tempo que eu não venho mais falhando com o Flamengo. Passei a me comportar bem no clube.''
Adriano afirmou ainda que tem a consciência tranquila e não precisa provar nada a ninguém. Do lado de fora da sala de entrevistas, minutos depois, ele reclamou com o goleiro Júlio César e o lateral-direito Maicon do rótulo de indisciplinado. ''Pô, faltei só três vezes e o cara vem dizer que foi uma porção de vezes'', disse o atacante, na conversa com os colegas. Mas o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, declarou recentemente que comportamento e postura são fundamentais para quem quer ser convocado e se firmar na seleção.
Sobre a possibilidade de atuar contra a Argentina - pode entrar no decorrer da partida, que acontece amanhã, em Rosário -, Adriano avisou que está pronto. ''Meu histórico nesse clássico é muito bom. A Argentina representa muito na minha carreira'', comentou o atacante. Ele teve participação decisiva em dois jogos do Brasil contra os argentinos: nas finais da Copa América de 2004 e da Copa das Confederações de 2005.
Ontem, no único treino coletivo realizado pela seleção na Granja Comary, Adriano foi o autor do gol que deu a vitória ao time reserva contra os titulares.
A saia-justa na entrevista coletiva não impediu que Adriano voltasse a sorrir quando quiseram saber dele se poderia jogar até os 43 anos, imitando Romário, que vai atuar algumas partidas pelo América-RJ. ''Quero parar aos 33 (tem 27), com 43 anos só o Romário mesmo.''

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