Retorno de estrelas não garante público na Superliga
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sábado, 14 de março de 2009
Mariana Lajolo<br>Folhapress 
São Paulo - O retorno das principais estrelas da seleção impulsionou o público da Superliga de vôlei. A afirmação é verdadeira, mas só se aplica ao torneio masculino. Mesmo após a conquista da inédita medalha de ouro nos Jogos de Pequim-2008 e do retorno de jogadoras como Fofão, Mari e Sheilla, a competição feminina não se tornou mais atrativa. Pelo contrário: até a última rodada do quarto turno - que marcou o fim da fase classificatória -, a média de espectadores é inferior à do último campeonato.
Na edição de 2007/2008, 1.258 pessoas haviam assistidos às partidas das mulheres até essa fase da disputa. Neste ano, a média é de 1.122 torcedores. Já no masculino, que voltou a desfilar campeões olímpicos como André Nascimento, Escadinha e Marcelinho, o público saltou de 952 para 1.265.
Os números contrariam tendência de mais de uma década. Desde a temporada 1996/1997, a Superliga feminina atrai mais torcedores. Apenas o torneio masculino de 2006/2007 apresentou público superior. A mudança ocorre, curiosamente, no melhor momento do vôlei feminino do País, coroado com o ouro olímpico conquistado pelo time de Zé Roberto.
''Uma das explicações para o maior público do feminino era a prevalência de mulheres na torcida. Elas preferem ver os jogos do feminino, embora alguns defendam que deveria ser o contrário'', afirma Renato D'Ávila, o gerente da Unidade de Competições Nacionais da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV).
No ano passado, a competição entre mulheres terminou com média de 1.431 torcedores por jogo. No torneio masculino foram 1.058 pessoas. A média feminina de 2008 foi bastante ajudada pela final do terceiro torneio. O jogo entre Osasco e Rio de Janeiro teve como palco o Maracanãzinho, e 10.245 pessoas viram a vitória paulista.
Neste ano, o maior público de uma decisão foi no duelo entre os mesmos rivais, também pelo terceiro turno. O Rio de Janeiro, diante de 4.000 torcedores em Osasco, levou o título.
''Os jogos com atletas de seleção têm ficado bem cheios. Já joguei com apenas minha família na plateia, prefiro ter apoio da torcida'', afirma Thaísa, meio-de-rede da seleção que trocou o Rio pelo Osasco.
Supervisores e técnicos de equipes que disputam a Superliga notaram variação do público. Na avaliação deles, a transmissão pela TV e os horários dos jogos contribuem para o esvaziamento dos ginásios.
As Superligas 2008/2009 já tiveram mais de 40 alterações de data, horário ou local de jogos, muitos a pedido da TV. A CBV afirma que isso não atrapalha o público, pois as mudanças são divulgadas com antecedência.


