Quatro times começam a brigar hoje pelas duas vagas na elite do futebol do Paraná em 2006 e as cidades que representam já fazem planos contando com o acesso. Usufruir dos benefícios que um time na Primeira Divisão do Estado pode trazer é a intenção de Maringá, Ponta Grossa, Cascavel e Toledo.
Um clube na Série Ouro pode representar retorno financeiro e de mídia e é atrás disso, principalmente, que os municípios estão correndo. São três meses período de duração do Paranaense em que a cidade pode ter divulgação nos veículos de comunicação de forma gratuita.
''É uma forma boa de divulgar sua cidade na tevê, nos jornais... Aparecer duas horas ininterruptas em rede nacional é extraordinário. Hoje, o Brasil inteiro conhece Maringá'', comemorou o vice-prefeito da Cidade Canção, Roberto Pupim (PDT). Ele se refere aos jogos da Copa do Brasil (Cianorte x Corinthians) e do Campeonato Brasileiro (o Paraná Clube enfrentou os quatro grandes paulistas) disputados esse ano na Cidade Canção.
A cidade é a que mais vestiu a camisa de seu time. A criação da Sociedade União Esportiva Maringá (Suem) começou nos corredores da prefeitura, que viu na figura do empresário Marcos Falleiro e de seu grupo a possibilidade de um trabalho sério para a recuperação da credibilidade do futebol maringaense, tricampeão estadual. ''Queríamos um grupo que formasse uma S/A, para o poder não ficar nas mãos de uma pessoa apenas. A prefeitura é só uma incentivadora. O Marcos é uma excelente pessoa, é sério e tenho certeza de que vamos nos dar bem no futuro'', elogiou Pupim.
A confiança na equipe é tanta que Pupim já corre atrás de patrocínio para 2006. ''A diretoria tem vários projetos, como a construção de um grande Centro de Treinamentos e, com o time bem, a cidade também ganha. Por isso, já corremos atrás de patrocínio'', confirmou o vice-prefeito.
Maringá terá pela frente Ponta Grossa, outra cidade apaixonada pelo time, na briga pelo status de ser um dos municípios que encabeçam o futebol estadual. O Operário, segundo clube mais velho do Paraná foi fundado em 1910, um ano depois do Coritiba mobiliza a cidade a cada jogo. O clube tem média de seis mil torcedores por jogo, o que garante o dinheiro para a folha salarial de cerca de R$ 38 mil. O Fantasma ficou longe do profissionalismo por 10 anos e voltou à ativa em 2004.
''Para nós é um orgulho enorme. O povo de Ponta Grossa tem um caso de amor com o Operário e está integralmente na torcida pela sua classificação para a Primeira Divisão. O apelo do Fantasma de Vila Oficinas é parte da tradição de Ponta Grossa. A cidade aprendeu a respeitar seu time mesmo nas piores fases, que foram difíceis de superar, mas terminaram'', observou o prefeito Pedro Wosgrau Filho (PSDB).
Ponta Grossa, porém, quase viu o retorno do Fantasma acabar de forma prematura e desagradável, quando o presidente do Conselho Deliberativo, Sílvio Gubert, disse a um programa de tevê que comprava árbitros nos jogos em casa, o que originou o ''caso bruxo''. Os auditores do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Federação Paranaense de Futebol (FPF) eliminaram o cartola do futebol, mas decidiram pela absolvição do clube, que foi considerado inocente. ''O bruxo já é coisa do passado. Agora, pensamos apenas em subir'', garantiu o técnico Ricardo Pinto.
A Prefeitura de Toledo é outra que dá como certa a conquista da vaga e já prepara reformas no Estádio 14 de Dezembro para receber grandes jogos em 2006. Neste ano, a torcida ficou frustada com a mudança do então Império Toledo para Curitiba e perdeu vaga na elite. O time abandonou a cidade alegando falta de apoio, deixou dívidas, sentimento de traição, mudou o nome para Império do Futebol e está alojado no Pinheirão por cortesia da Federação Paranaense (FPF).
Mas para que o Toledo possa desfrutrar de seu remodelado estádio em 2006 é preciso primeiro passar pelo Cascavel. ''Estamos vivendo uma expectativa muito grande de voltar à Primeira Divisão. Nossa região não tem nenhum representante na elite e todo mundo perde com isso. Temos um grande estádio e temos torcida. Queremos ver no futebol de campo as mesmas alegrias do futsal, que pode ser tricampeão (estadual)'', ressaltou o secretário de Esportes de Cascavel, Pedro Litron.
Já contando com o acesso da Serpente e projetando o futuro, a prefeitura se espelhou em Maringá e quer arrecadar dinheiro para o clube levando jogos do Brasileirão para Cascavel. No próximo dia 3, Paraná e Inter jogam no Estádio Olímpíco. ''No ano que vem queremos pelo menos cinco jogos, de preferência times paulistas e gaúchos. Por isso, contamos com o acesso do Grêmio'', adiantou Litron.

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