São Paulo, 23 (AE) - Este foi um ano excelente para o atletismo brasileiro. Resultados como as medalhas de prata de Claudinei Quirino, nos 200 metros, e de Sanderlei Parrela, nos 400 m, no Mundial de Sevilha, mais o tricampeonato de Eronildes Araújo nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg significaram o renascimento de um esporte que é, em si, a imagem mais pura dos Jogos Olímpicos. Conquistas que significam uma pressão enorme por novos resultados, na Olimpíada de Sydney, no ano que vem.
"Vamos ter de trabalhar demais com o lado psicológico porque vai ser um ano de muita pressão", diz Claudinei. "Será difícil conviver com isso." O velocista passou a ser reconhecido nas ruas, o que era raro antes desta temporada. Claudinei, de 29 anos e 1,86 m, um especialista nos 200 m, ganhou destaque ao voltar do Pan-Americano de Winnipeg com quatro medalhas, ao conquistar a medalha de prata nos 200 m, no Mundial de Sevilha (20s00) e ao estabelecer novo recorde sul-americano, com vitória, correndo 19s89 no GP de Munique. "O povo cobra medalhas, mas só mantendo a cabeça tranquila e o trabalho para ter resultados."
Claudinei, Sanderlei e Eronildes, assim como Maurren Higa Maggi e André Domingos, participaram ontem, em São Paulo, da renovação de contrato de patrocínio, até o fim de setembro de 2000, com a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). A entidade confirmou um investimento de R$ 35 mil, por mês, em 22 atletas, até a Olimpíada de Sydney.
Maurreen, ouro no salto em distância e prata nos 100 m com barreiras, no Pan de Winnipeg, afirma que após as conquistas da temporada a pressão aumentou. "Agora, o pessoal já quer saber o que vou fazer daqui para a frente."
Sanderlei Parrela, que mora e treina nos Estados Unidos - está de mudança de San Diego para Clenson, na Costa Leste -, sente menos as pressões por novas medalhas. Mas o atleta, de 25 anos e 1,93 m, acentua que seguem as cobranças internas, que também são rigorosas. "Meu primeiro objetivo é chegar a uma final olímpica
entre os oito melhores."

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