O técnico Wanderley Luxemburgo antecipa que a Seleção Brasileira não deverá ter novidade tática no amistoso contra a da Iugoslávia, amanhã, às 16h45, em São Luís. ‘‘Vamos depender da qualidade de cada jogador’’, disse o treinador, durante a entrevista coletiva, ontem à tarde, na Associação Comercial do Maranhão, próxima do hotel no qual a seleção está concentrada em São Luís. ‘‘Com dois treinos, não dá para acrescentar muita coisa.’’ Luxemburgo disse que vários jogadores estão se conhecendo agora, como novos companheiros.
Por coincidência, no momento em que o técnico iria falar da expectativa a respeito do trabalho que terá pela frente, apagou a luz no prédio do ACM. A luz voltou logo em seguida para alívio dos organizadores do amistoso da seleção. ‘‘Vocês viram que meu trabalho não será fácil’’, disse o treinador.
Luxemburgo admitiu que se sente cansado com a dupla função de técnico da seleção e do Corinthians. Com a reeleição do presidente do clube, Alberto Dualib, o técnico mantém o compromisso de continuar no Parque São Jorge por mais três meses. Depois disso, ele reconhece que não tem condição de permanecer no Corinthians. ‘‘Está sendo desgastante, mas vou aguentar até o fim do ano’’, afirmou o treinador. ‘‘A partir de janeiro, poderei me dedicar exclusivamente à seleção.’’
O treinador disse que está preocupado com o clima de cobrança do seu trabalho, antes da estréia na seleção. Ele ressalta que seu compromisso com a CBF é montar inicialmente uma equipe para a disputa do Pré-Olímpico. Por essa razão, fez uma convocação mesclando jogadores experientes e novos. ‘‘Mas é claro que temos de começar com vitória, porque caso contrário surgirão as críticas, as pesquisas negativas e um monte de coisas’’, ressaltou. ‘‘Mesmo para um começo de trabalho é importante jogar contra uma equipe forte como a Iugoslávia.’’
A equipe para enfrentar a Iugoslávia deverá ser definida no treino desta manhã. O treinador explicou que os jogadores chegaram ontem, cansados da viagem para São Luís, por isso não pode exigir muito dos atletas. Alguns, como Rivaldo, Denílson, Cafu e Antônio Carlos vieram da Europa para o amistoso. ‘‘Tenho o time na cabeça, mas preciso conversar bastante com os jogadores para saber suas reais condições físicas.’’
A defesa está praticamente formada com André; Cafu, Antônio Carlos, Cléber e Felipe. No meio-de-campo, Vampeta, Marcos Assunção, Rivaldo e Denílson. A dupla de atacantes deverá ser formada por Marcelinho Carioca e Muller. O segundo amistoso da seleção está confirmado para o dia 14 de outubro contra a Colômbia, em Nova Yok.
Ambiente - Discrição e timidez da maioria dos jogadores marcaram o primeiro encontro da Seleção Brasileira sob o comando de Luxemburgo. Como se estivessem ainda disputando o Brasileiro, os atletas começaram a chegar ontem às 7 horas no Aeroporto de Cumbica e imediatamente foram formando os grupos dos seus respectivos clubes.
A seleção teve de esperar o desembarque dos dois jogadores da Itália. Depois de 11 horas de viagem de Roma para São Paulo, Cafu e Antônio Carlos desceram de um avião e imediatamente entraram no vôo da seleção. ‘‘Vale qualquer sacrifício’’, disse Antônio Carlos. ‘‘Quando soube que eu estava de volta à seleção chorei muito de emoção.’’
Apesar da expectativa da viagem da seleção, os jogadores do São Paulo estavam visivelmente tristes, calados, ainda sentindo o reflexo da goleada que o tricolor sofreu da Portuguesa por 7 a 2, domingo no Pacaembu.
Marcelinho Carioca foi um dos jogadores mais procurados pelos torcedores para dar autógrafos. ‘‘Espero não decepcionar, porque muita gente torceu pela minha convocação.’’
O atacante Muller disse que sua volta à seleção é um prêmio pela sua dedicação. Ele, porém, não faz planos para a disputa de mais uma Copa do Mundo. ‘‘Como posso garantir se continuarei na seleção até lá?’’, disse o atacante. ‘‘Não sei se em 2002 ainda estarei jogando.’’

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