Michael Schumacher e Mika Hakkinen iniciam hoje em Nurburgring, na Alemanha, a disputa do GP de Luxemburgo, o 14º e penúltimo da temporada. Pela primeira vez este ano, os dois largam com o mesmo número de pontos, 80. Ontem, suas equipes, Ferrari e McLaren, pareciam bem mais preocupadas com a definição do Mundial que os próprios pilotos.
Quem via Schumacher e Hakkinen respondendo às perguntas dos jornalistas, ontem, na sala de imprensa do autódromo, não imaginava que os dois são os únicos adversários na luta pelo título mundial, tamanha a distância que os dois colocaram-se da competição. ‘‘Quando eu sei que irei disputar uma partida de futebol sinto-me mais nervoso do que quando estou dirigindo meu carro de Fórmula 1’’, afirmou Schumacher. Ele joga num time da terceira divisão do campeonato suíço de futebol. ‘‘Às vezes sobe um frio do estômago, mas logo esqueço.’’
Já Hakkinen lembrou que as pressões que está sentindo agora, quando são boas suas chances de ser campeão, não diferem das que qualquer piloto sofre simplesmente por estar na Fórmula 1. ‘‘Se você confia no seu trabalho essas pressões são enfrentadas com naturalidade’’, comentou o finlandês, para depois completar: ‘‘Passamos a errar apenas quando perdemos essa autoconfiança.’’ Como que explicando a derrapagem em Monza, dia 13, Hakkinen disse que a McLaren descobriu um problema no freio esquerdo dianteiro no seu carro.
As dificuldades de resistência da McLaren é que mais o preocupa. ‘‘Nós temos oferecido a nossos adversários alguns presentes’’, disse Hakkinen. Sua posição a respeito do modelo MP4/13 da McLaren, porém, não mudou: ‘‘Nosso carro é o mais forte e rápido da Fórmula 1’’. A confiabilidade na F300, ao contrário da McLaren, é o maior trunfo de Schumacher para vencer o campeonato, segundo ele próprio. ‘‘Essa é a principal virtude do nosso carro.’’ Das 14 etapas já realizadas, Schumacher abandonou apenas uma, na Austrália, por uma pane no motor.
Schumacher e Hakkinen estão com 80 pontos cada na classificação. ‘‘Acho que cada um de nós tem 50% de chance de conquistar o título’’, opina o alemão. akkinen não fala em porcentagem, mas exalta seu conjunto: ‘‘Temos os melhores chassi, motor e aerodinâmica, e ainda uma equipe experiente, não vejo por onde não podemos ser campeões.’’ Os treinos livres começam hoje em Nurburgring. A previsão do tempo indica chuva para domingo.
Curiosamente os dois pilotos, quando estão distantes, agem de forma bastante distinta da cordialidade de ontem. ‘‘Hakkinen não me preocupa como piloto, ele não é melhor que Villeneuve’’, comentou Schumacher no paddock. O finlandês observou que o alemão é agressivo e às vezes comporta-se mal na pista.
Brasileiros - Cresceram bastante, ontem na Alemanha, as possibilidades de o Brasil se apresentar bem melhor no próximo Mundial de Fórmula 1. A não ser que aconteça alguma surpresa de última hora - possível, mas a esta altura pouco provável -, Pedro Paulo Diniz correrá pela equipe Sauber em 1999 e o estreante Ricardo Zonta na BAR, organização que assumiu a Tyrrell. Rubens Barrichello já renovou com a Stewart.
O negócio entre Diniz e a Sauber só não foi concluído por causa de algumas pendências entre o que pretendem a escuderia e o piloto. Por exemplo: a Sauber deseja cobrar uma multa elevada de Diniz se ele aceitar o convite de um time melhor no fim do próximo campeonato. O negócio, no entanto, deve sair. O atual piloto da Arrows se esquiva de comentar o assunto, mas, segundo deu a entender, até a metade da próxima semana tudo deverá estar acertado.
Já Zonta tem a preferência dos dirigentes da BAR. Damon Hill, atualmente na Jordan, foi tentado com uma proposta de cerca de US$ 9 milhões. Como havia renovado com a Jordan há dias e a multa pela rescisão era bastante elevada, Hill acabou onde está, na ascendente Jordan. Se Diniz assinar com a Sauber e Zonta com a BAR, conforme parece ser esse o caminho, é muito provável que os representantes do País passem a disputar posições bem mais avançadas no grid e nas corridas que nesta temporada, quando seus equipamentos os limitaram bastante.

mockup