Reservas garantem segunda vitória do vôlei
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segunda-feira, 16 de agosto de 2004
Agência Folha 
Atenas - Com um time misto, a seleção feminina de vôlei ganhou ontem sua segunda partida na Grécia. O time de José Roberto Guimarães, que poupou Fernanda Venturini, Virna, Walewska e Mari, começou bem o jogo contra a frágil seleção do Quênia, mas teve momentos de instabilidade no segundo set.
Das titulares, só atuaram nos 3 a 0 (25/16, 29/27, 25/12) a ponta Érika e a meio Valeskinha. O destaque no Estádio da Paz e Amizade, que teve público de 500 pessoas, foi a ponta Sassá, com 15 pontos e 82% de sucesso na recepção.
''Quando você joga com um time mais fraco, a tendência é não ter tanta atenção. A adrenalina é diferente, a concentração também'', justificou Zé Roberto.
O próximo jogo do Brasil será amanhã, contra a também invicta Itália. O vencedor deve ficar com a primeira posição do Grupo A, cruzando nas quartas-de-final, teoricamente, contra um rival mais fraco da ''chave da morte'', composta por EUA, China, Cuba, Alemanha, Rússia e Tunísia.
A China, uma das favoritas ao ouro, perdeu ontem sua melhor atacante, Ruirui Zhao, que deixa os Jogos lesionada.
Masculino - Um livro sobre beisebol. É com ele que Bernardinho busca tornar ainda mais letal a seleção masculina, que, após bater na estréia a frágil Austrália, pega hoje, às 15h30 (de Brasília), a Itália, sua maior rival nos últimos anos.
Bernardinho diz acreditar que o saque será a tônica do torneio olímpico de vôlei masculino. ''A maioria dos times investiu no saque, por isso há tanto equilíbrio. Não há favoritos, como Rússia e Itália eram no passado. O Brasil vai ter de sacar contra a Itália como sacou ontem a partir do segundo set. Bloqueio e defesa terão que se posicionar de forma diferente.''
O treinador também alerta para uma provável evolução do vôlei italiano em relação à derrota na final da Liga, em julho passado. ''Pelo que tenho ouvido, eles (italianos) vão querer a revanche e a preparação deles foi focada no Brasil. Tenho dito a meus jogadores que a Itália será bem melhor que na final da Liga Mundial. Espero que o Brasil também.''
Bernardinho ainda não confirmou a escalação do atacante Nalbert desde o começo da partida. ''Tecnicamente ele está bem, talvez na melhor fase da sua vida, mas ainda precisa de ritmo.''
Questionado se está usando algum livro como base para motivar a equipe, ele citou ''Moneyball -The Art of Winning an Unfair Game'', em tradução livre, algo como ''Bola de Dinheiro - A Arte de Vencer um Jogo Desigual''. ''É um jogo injusto no sentido de times muito ricos contra os muito mais pobres. Conta como se faz para ganhar nesse esquema. Como tendo menos talento você consegue triunfar'', disse Bernardinho sobre a obra de Michael Lewis, um best-seller nos EUA.
''Moneyball'' fala sobre como o manager Billy Beane conseguiu, com orçamento três vezes menor que o de times de ponta, fazer do californiano Oakland Athletics um dos mais competitivos da MLB, a liga de beisebol dos EUA. Ele usou como princípio, para montar o elenco em 2002, dados pouco usuais. E contratou, a partir daí, atletas ''bons e baratos''.
Bernardinho certamente se identifica com o personagem central de ''Moneyball''. Disse o ex-jogador Beane, medíocre quando na ativa: ''Não conseguia acertar a bola. Sempre pensei que gerenciar um time seria mais interessante''. Disse Bernardinho ao comentar o local dos jogos de vôlei em Atenas: ''Não gosto de ginásios grandes, você perde a referência. Mas não fui um grande jogador, a referência era complicada para mim''.
Em quadra, Bernardinho ficou marcado como o levantador número dois do Brasil nos anos 80 era reserva de William e foi vice-campeão mundial em 1982 e prata em Los Angeles-1984.
Fora dela, tem sido o mentor de seleções bem-sucedidas. Após levar o time feminino a dois bronzes olímpicos, já obteve 11 títulos em 14 torneios com os homens.


