O repórter Marcelo Resende, da ‘‘Rede Globo’’, disse ontem por telefone àFolhaque não acredita que o escândalo ‘‘acabe em pizza’’. Segundo o repórter que fez as denúncias no ‘‘Jornal Nacional’’, a partir do momento que se quebrarem os sigilos telefônicos e as contas bancárias dos envolvidos, será possível saber a extensão dessas denúncias.
‘‘Esse problema é antigo. Mas pela primeira vez se conseguiu provas concretas sobre o caso’’. Sobre a procedência das fitas, o repórter, que também levantou as denúncias do caso do espancamento dos policiais militares em Diadema (SP), disse que as recebeu num pacote. ‘‘Ele era apócrifo. Além das fitas continha um papel datilografado’’.
As fitas foram consideradas verdadeiras por dois laboratórios. Depois Marcelo Resende, juntamente com Róbson Cerantulo, um dos produtores de jornalismo da emissora, viajou 12 dias a vários locais, onde constatou parte das gravações divulgadas.
A entrevista com Mário Celso Petraglia foi realizada na manhã do dia 1º de maio. Um dia antes, o repórter conversou com o dirigente expondo parte da matéria que gostaria de fazer e pedindo uma entrevista. Petraglia telefonou a Resende na noite anterior aceitando gravar na manhã seguinte. Segundo o repórter, Petraglia não lhe fez nenhum pedido para não divulgar o teor da entrevista ou algo parecido. ‘‘Fui muito incisivo com ele. Não havia ambiente para qualquer contestação’’.
Marcelo Resende não quis adiantar se na escuta telefônica feita no celular de Ivens Mendes, foram também relacionados dirigentes de outros clubes. ‘‘Temos mais coisas para serem divulgadas. Só posso dizer isso, senão eu furo o meu próprio jornal’’, argumentou o repórter.

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