Representante de Dagoberto acusa Atlético
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sexta-feira, 07 de julho de 2006
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Um dia após a diretoria do Atlético quebrar o silêncio para falar sobre a situação do atacante Dagoberto, o empresário Naor Malaquias, um dos representantes da Massa Sports, que gerencia a carreira do jogador, também comentou o caso. Ele afirmou ainda não ter sido notificado da decisão judicial que obriga a prorrogação do contrato com o clube e acusou o Furacão de criar mal-estar entre o atleta e a torcida.
Em entrevista coletiva concedida na quinta-feira, o Atlético diz que entrou na Justiça do Trabalho porque não chegou a um acordo sobre a prorrogação do contrato, que vence no dia 23 de julho de 2007 e tem redução da multa nacional de transferência para R$ 5,4 milhões a um ano do término do prazo. Segundo o Furacão, a demora para resolver a situação e a permanência da atual multa nas negociações com a Massa Sports gerou a ação judicial.
O despacho do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), de Curitiba, em sua primeira decisão, prevê que o jogador fique mais 250 dias no clube, com multa nacional de transferência no valor de R$ 16,4 milhões. ''Ainda não fomos notificados, mas estou a par do processo. Nossos advogados da área esportiva estão estudando o caso'', resumiu Naor Malaquias. No dia 10 de agosto, uma audiência marca o próximo episódio do que promete ser uma longa queda-de-braço na Justiça.
Sobre as negociações, Malaquias confirmou ter havido desgaste durante as apresentações das propostas e negou ter pedido R$ 1 milhão de luvas para que o atleta prorrogasse o contrato, como disse o conselheiro jurídico do clube, Marcos Malucelli, na quinta-feira. Ele ainda afirmou que o próprio Dagoberto teria cedido para chegar a um acordo. ''Ele teria 100% dos direitos econômicos se negociasse em agosto (de 2007) e cedeu 75% para o Atlético para poder ficar'', observou.
O Atlético não aceitou a proposta de manutenção da multa nacional de R$ 5,4 milhões temendo transferência do jogador a qualquer momento mesmo após a prorrogação do contrato. Para Malaquias, essa seria uma proteção ao jogador. ''Ele fez isso para não ficar desprotegido contratualmente. O mesmo medo que o Atlético tem, o Dagoberto tem. Ele não confiou na diretoria e ela também não'', explicou.
Malaquias crê que haja motivos pessoais travando a negociação. ''Existe uma certa dificuldade de negociar com uma pessoa (Mário Celso Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo). Não é fácil, até mesmo a torcida entrou na Justiça para poder baixar o preço do ingresso. Estão querendo jogar o Dagoberto contra a torcida. Mas ele vai cumprir seu contrato até o final'', garantiu o empresário.


